Por que a vinda de médicos estrangeiros ao Brasil gera tanta polêmica

Escrito por tiago tostes
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Por que a vinda de médicos estrangeiros ao Brasil gera tanta polêmica
O anúncio de trazer 6 mil médicos cubanos ao Brasil gerou um grande debate de entidades contra e a favor da medida (Siri Stafford/Digital Vision/Getty Images)

Em maio, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, após uma reunião com o chanceler cubano, Bruno Rodriguez, anunciou a disposição em receber 6 mil médicos cubanos ao Brasil. O Conselho Federal de Medicina, os médicos brasileiros e os estudantes de medicina se declaram contrários à proposta e realizaram vários protestos por considerarem que não faltam médicos no Brasil, mas sim condições precárias de trabalho nas unidades de saúde. O governo, como contraproposta, lançou o programa Mais Médicos, que pretende incentivar as médicos brasileiros e estrangeiros (entre eles espanhóis, portugueses, e até mesmo os cubanos) para as regiões mais carentes de atendimento público de saúde.

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Programa Mais Médicos

Após os protestos, o Ministério da Saúde lançou o programa Mais Médicos por meio de uma medida provisória, voltando atrás com relação aos médicos cubanos e oferecendo uma contraproposta. Com esse programa, o governo pretende preencher as vagas existentes em várias cidades. Os médicos que aderirem ao Mais Médicos receberão bolsa no valor de R$ 10 mil mensais, além de auxílio moradia. Terão prioridade, nesse programa, os médicos brasileiros formados no Brasil ou no exterior. Os médicos formados no exterior precisarão ter diploma de faculdade de Medicina com o tempo de formação equivalente ao brasileiro, ter conhecimentos da língua portuguesa e ter licença de exercício da profissão no seu país de origem.

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O programa Mais Médicos, lançado pelo ministério da saúde, pretende resolver a falta de médicos em várias cidades do Brasil (Jack Hollingsworth/Photodisc/Getty Images)

Faltam médicos no Brasil?

A Organização Mundial da Saúde diz que deve haver 1 médico a cada mil habitantes, e o nosso país possui 1,8. Esse número é insuficiente, segundo o governo, pois 22 estados estão abaixo dessa média, entre eles: Acre, Amapá, Maranhão, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. Os médicos, por sua vez, dizem não ser possível exercer a profissão e prestar atendimento de qualidade sem que haja condições adequadas de trabalho. Isso justificaria a falta de médicos em certas regiões, somado ao fato de não existir um plano de carreira no Estado, desestimulando a permanência no serviço público.

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A falta de materiais nos postos de saúde e a falta de uma carreira no Estado desestimula a permanência dos médicos no SUS (Sistema Único de Saúde) (Liquidlibrary/liquidlibrary/Getty Images)

Sem exame Revalida

Uma outra questão bastante debatida é a não-submissão dos estrangeiros que vierem pelo programa Mais Médicos ao exame Revalida (revalidação de diplomas de medicina de estrangeiros). O ministro da saúde, Alexandre Padilha, explica que sem o Revalida, os estrangeiros não poderão disputar o mercado de trabalho com os profissionais brasileiros, pois só terão autorização para atuar nas periferias das grandes cidades e em municípios do interior, nos programas específicos de intercâmbio. Já o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D’Ávila, afirma que os médicos não podem deixar de serem avaliados, para a segurança da população.

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O Revalida é, atualmente, um exame necessário aos médicos estrangeiros que pretendem exercer a profissão no Brasil (Jack Hollingsworth/Photodisc/Getty Images)

Os médicos estrangeiros

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma não haver motivos para polêmica, pois até mesmo os países desenvolvidos contratam médicos estrangeiros para incrementar o serviço de saúde prestado à população. Os EUA, por exemplo, possuem 25% desses profissionais no seu setor privado, a Inglaterra tem 40% de médicos estrangeiros, o Canadá possui 17% e a Austrália tem 22%. Além disso, esses profissionais serão supervisionados por instituições públicas de ensino. Os médicos brasileiros, entretanto, dizem que não há uma segurança quanto à qualidade da formação dos médicos cubanos, por exemplo, que não compreendem os exames e os procedimentos com tecnologias mais avançadas.

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O governo vê nos médicos estrangeiros a possibilidade de resolver, a curto prazo, a carência de médicos em várias regiões do Brasil (Stockbyte/Stockbyte/Getty Images)

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