Lições preliminares de como criar abelhas

Escrito por nicole kauffman | Traduzido por andré schwarz
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Criando uma colmeia e mantendo-a

Lições preliminares de como criar abelhas
Algumas colmeias podem abrigar até 60.000 abelhas (Comstock/Comstock/Getty Images)

Esse não é um passatempo fácil. É um trabalho ao qual muitos não estão aptos.

— Tim Tucker, apicultor há 20 anos e membro do conselho diretor da American Bee Federation (Federação Americana de Apicultura)

Em 2006, a população de abelhas começou a diminuir de forma alarmante nos EUA, embora um aumento de criadores amadores mantenha a indústria funcionando. Cerca de 200.000 deles, com menos de 10 colmeias cada um, ajudam a enfrentar ameaças à população de abelhas e à produção de mel. Uma diminuição da quantidade desses insetos pode ter consequências sérias: elas polinizam 80% de todas as plantas, inclusive 90% das que compõem nossa alimentação. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, os primeiros relatos de diminuição da população de colmeias domésticas apontavam diminuições de entre 30% e 90% da população total. Elas foram atribuídas ao "Distúrbio do colapso das colônias", DCC, indicado pela presença de uma rainha e larvas vivas, pequeno número de insetos adultos presentes e nenhum traço de abelhas mortas. Os cientistas não sabem o que causa a DCC, mas acredita-se que ele é resultado de pragas, pesticidas e estresse nos insetos. Ele é essencialmente um forte enfraquecimento das abelhas que afeta com frequência as colônias que são transportadas em caminhões, repetidamente, a grande distâncias, para polinização.

A situação das abelhas

Tim Bucker, apicultor há 20 anos e editor do informativo "eBuzz", da American Bee Federation (Federação Americana de Apicultura), afirma que a indústria apicultora já estava em declínio bem antes de a DCC aparecer. Desde os anos 50, o habitat natural das abelhas (florestas com árvores ocas) vem desaparecendo. Há aproximadamente 20 anos, colmeias vêm enfrentando problemas causados por vírus trazidos por cupins. No entanto, a maior ameaça continua sendo a DCC.

É aí que os criadores amadores podem ajudar.

Uma criação de fundo de quintal provê aos insetos abrigo e acesso a várias árvores, flores de arbustos, trevos brancos e plantas ornamentais. As abelhas são polinizadoras gerais e podem multiplicar-se em várias localidades.

"Elas se dão muito bem em ambientes urbanos", diz Tucker, dono da Tuckerbee's Honey de Niotaze, no estado norte-americano do Kansas.

Quanto maior o interesse na apicultura, maior será a demanda por abelhas, e quanto mais abelhas, melhores serão as taxas de polinização.

A atividade requer tempo, dedicação e algumas ferramentas essenciais.

"Não é um passatempo simples", diz Tucker; "é um trabalho ao qual muitas pessoas não estão aptas".

Aos criadores, no entanto, o trabalho dá bons frutos. Além de conseguir mel caseiro, pólen e cera, eles se satisfazem ao ajudar as operárias em sua legendária labuta.

Ocupado como um apicultor

Lições preliminares de como criar abelhas
Uma colmeia é basicamente uma caixa com camadas na qual vive uma colônia de abelhas (Hemera Technologies/AbleStock.com/Getty Images)

Um criador novato pode começar com uma única colônia, que compreenderá entre 15.000 e 60.000 insetos, dependendo da época do ano. Primeiramente, no entanto, ele terá de se familiarizar com as leis municipais de criação, que podem delimitar onde e quantas colônias poderão ser mantidas, bem como se será necessário abastecer as colmeias com água para que os insetos não a busquem em outras fontes, como a tigela de água de um cachorro do vizinho.

Susan Brackney é apicultora de Bloomington, Indiana, e autora do livro "Plan Bee: Everything You Ever Wanted to Know About the Hardest-Working Creatures on the Planet" ("Plano apicultura: Tudo o que você sempre quis saber sobre as criaturas que mais trabalham duro no planeta", em tradução livre), publicado em 2009. Ela sugere contatar o escritório municipal correspondente e a associação de apicultores mais próxima. Ela recomenda ainda obter as abelhas de uma fonte local, pois os insetos já estarão acostumados à região e resistentes aos parasitas e patógenos locais.

Quando a encomenda chegar, com a rainha em uma embalagem separada, a caixa deverá ser esvaziada em uma colmeia que consistirá de uma tábua na base, dois corpos, três melgueiras médias onde o mel será acumulado e coberturas externa e interna.

Além da colmeia, o criador irá precisar de um defumador que fará a queima de lascas de madeira ou serapilheira e exalará fumaça nas abelhas, para mantê-las sob controle durante o manuseio, bem como de uma ferramenta que Brackney comparou a um pé de cabra. Esta última será usada para abrir as colmeias, que estarão vedadas com resinas vegetais.

Proteja-se

Os criadores irão precisar, também, de vestuário adequado: sobretudo, chapéu, veus e luvas que formam as roupas de proteção do apicultor, protegendo-o contra picadas. No entanto, elas não podem ser completamente evitadas e são partes do negócio. Por isso, Brackney recomenda certificar se você não é alérgico a elas antes de começar uma cultura. Ela afirma ainda que os insetos atacarão apenas para defender as colmeias e que, com o tempo, os criadores tornam-se menos sensíveis aos ataques.

Embora alguns criadores mais experientes não vistam o traje completo, ela o faz rigorosamente para trabalhar em suas colmeias: "Isso me permite focar nas abelhas" e não em suas picadas, afirma.

Depois de picar, a abelha morre, mas seu ferrão permanecerá na pele e exalará ferormônios que atiçarão as outras. "Se uma picar, muitas outras o farão", continua Brackney. Empurrar o ferrão para fora da pele em vez de simplesmente arrancá-lo ajudará a manter o veneno restante na bolsa do ferrão e fora do corpo.

Esses insetos normalmente não incomodam seus vizinhos, mas a Associação dos Apicultores de Delaware recomenda utilizar em jardins abelhas de uma linhagem menos agressiva e colocar em volta da colmeia, a 3 m de distância, uma cerca baixa para estimular os insetos a voar para cima em vez de ir para as partes nas quais as pessoas transitam.

O trabalho na colmeia é sasonal, sendo mais movimentado na primavera e no verão. A Associação de Apicultores do Condado de Utah afirma que geralmente uma ou duas horas mensais durante o outono e inverno bastam para inspecionar as colônias e realizar tarefas básicas de manutenção. Alguns criadores inspecionam suas colônias a cada duas ou quatro semanas para certificar-se de que a rainha está viva e que as abelhas estão nutrindo-se adequadamente, o que pode ser problemático nos meses mais frios.

Doces recompensas

O que as abelhas fazem durante o dia? A resposta dependerá da linhagem. Operárias dividem tarefas: algumas entrarão e sairão da colmeia uma dúzia de vezes por dia em busca de néctar e pólen. Outras fabricarão mel e cera, enquanto outras alimentarão larvas ou servirão à rainha a "geleia real", composta de vitaminas B, açúcares, aminoácidos e traços de alguns minerais.

O trabalho da rainha é acasalar com os machos, chamados zangões. Ela depositará ovos nas células dos favos, e o tamanho delas irá determinar a casa do filhote.

Em seu livro, Brackney afirma que são necessários 1,8 kg de pólen para produzir 450 g de mel e 3,6 kg de néctar para produzir 450 g de cera. A Associação dos Apicultores de Delaware afirma que, em média, a quantidade de mel obtida anualmente de uma colmeia é de 22,5 kg, embora algumas mais produtivas cheguem a produzir 90 kg.

O mel está pronto para o consumo quando as operárias retiram dele o excesso de água e limitam-se a produzir cera. Depois de estabelecida a colônia, o apicultor poderá retirar mel dela várias vezes por ano.

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