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Jogadores polêmicos dentro e fora de campo

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Introdução

Vários atletas encantaram a torcida com suas grandes jogadas, defesas espetaculares ou gols inesquecíveis. Alguns, no entanto, também ficaram marcados pela polêmica. Politizados, rebeldes ou simplesmente encrenqueiros (ou ainda tudo ao mesmo tempo), muitos deles se notabilizaram dentro e fora das quatro linhas. O temperamento forte e explosivo fez com que alguns, inclusive, tivessem a carreira seriamente prejudicada com o passar dos anos. Mesmo assim, muitos deles se tornaram ídolos incontestáveis dos clubes que defenderam. E são até hoje lembrados pelos torcedores. Conheça algumas histórias curiosas envolvendo os mais polêmicos craques deste esporte.

Ben Radford/Getty Images Sport/Getty Images

Robbie Fowler

Imagine ir a um estádio torcer pelo seu time e, em uma cobrança de penalidades, seu maior ídolo bater para fora de propósito? Essa é apenas uma das maluquices que constam da extensa ficha corrida do britânico Robbie Fowler, que atuou nos campos de futebol entre 1993 e 2012. Ele desperdiçara a cobrança pelo fato de a falta marcada não haver existido. Bem menos nobre foi a sua comemoração ao marcar um gol contra o Everton, em 1998. Acusado por torcedores adversários de usar drogas, ele simulou “cheirar” a linha lateral do campo, como se estivesse consumindo cocaína.

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Afonsinho

Afonso Celso Garcia Reis, o Afonsinho, tinha tudo para ficar famoso como um dos grandes jogadores que o Brasil teve nos anos 1960 e 1970. Mas acabou marcado de outra forma: politizado e inteligente, sempre lutou contra a chamada Lei do Passe, que vinculava de forma compulsória um jogador a um clube. Para ele, a legislação esportiva criava uma nova forma de escravidão, tirando dos atletas a liberdade para escolher seu caminho. Seu discurso era ainda mais corajoso por ser feito em plena ditadura militar. Garantiu na Justiça o direito de ficar com o seu próprio passe, mas foi perseguido durante toda a carreira. Ele chegou a ser barrado em uma equipe por usar barba.

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Maradona

Um dos maiores de todos os tempos, o argentino Diego Armando Maradona sempre foi notícia. Como jogador, levou sua equipe ao título mundial de 1986, com atuações antológicas. Contra a Inglaterra, foi genial e polêmico, como na vida. Um dos tentos foi marcado com a mão, enquanto o outro foi um sensacional gol de placa, em que driblou meio time, incluindo o goleiro. Mas houve muito mais: prisão por porte de cocaína, eliminação na Copa de 1994 por doping e declarações mal-educadas contra Pelé, que para ele não foi o melhor do mundo coisa nenhuma. Defensor do socialismo, tem uma tatuagem de Che Guevara no braço e escolheu Cuba para se tratar da dependência ao álcool e drogas.

Ben Radford/Getty Images Sport/Getty Images

George Best

“De todo o dinheiro que ganhei, 90% gastei com mulheres, bebidas e carros velozes. O resto eu desperdicei”. A frase resume a vida de um dos maiores craques da história do Manchester United, George Best. Nascido na Irlanda do Norte, desfilou todo o seu talento e polêmica nos campos entre 1963 e 1984. No início da carreira, colecionou atuações memoráveis, que lhe valeram até mesmo o honroso apelido de “O quinto beatle”. No entanto, seu temperamento explosivo lhe causava problemas: vivia brigando com os técnicos e até mesmo com alguns companheiros de time. Contra juízes e adversários, era ainda mais implacável, o que lhe valeu muitas suspensões. Morreu em 2005, de falência múltipla dos órgãos, causado pelo alcoolismo.

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Eric Cantona

Este é mais um jogador genial -- e genioso -- que se tornou ídolo no Manchester United. Com atuações memoráveis, o craque francês conquistou vários títulos pelo clube britânico, sendo um dos responsáveis pelo seu ressurgimento. Antes disso, colecionou gols, títulos e confusões na França, defendendo Auxerre, Bordeaux, Montpellier e Olympique Marselhe. Atirou chuteiras em colega de equipe, agrediu adversários e xingou juízes a torto e a direito. Mas foi no Campeonato Inglês que protagonizou seu ato mais famoso. Em partida entre Manchester e Cristal Palace, ele passou a ser insultado pelos torcedores adversários. E não se fez de rogado: foi à arquibancada e espancou um deles.

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Edmundo

No início dos anos 1990, o locutor Osmar Santos chamava de “Animal” todo bom jogador que fazia uma ótima partida. Mas a partir de 1993, o atacante Edmundo acabou tomando o apelido para si, tal o número de grandes atuações que colecionou. Mas não demorou muito para que o apelido também ganhasse conotação negativa. Brigou com colegas de equipe, iniciou pancadarias histórias durante os jogos, xingou juízes e até agrediu cinegrafistas. O momento mais dramático foi quando se envolveu em um acidente automobilístico, em 1995, que resultou na morte de três pessoas. Foi alvo de um processo, que acabou extinto por falta de provas que o responsabilizassem pelas mortes.

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Almir Pernambuquinho

O atacante Almir Pernambuquinho é mais um dos jogadores que conciliavam um talento extraordinário com um temperamento explosivo. Mestre em armar confusões em campo, iniciou ao menos duas batalhas de grandes proporções: um jogo entre Brasil e Uruguai, em 1959, e a final do Carioca de 1966, entre Flamengo e Bangu. Explosivo com a bola e também sem ela, anunciou o lançamento de uma autobiografia bombástica ao encerrar a carreira. Nela, denunciou doping, subornos e outros casos de corrupção no futebol. Os capítulos eram publicados, como folhetim, na revista Placar. Mas antes de concluir o trabalho, foi assassinado no Rio de Janeiro, em 1973, ao defender um grupo de travestis.

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Adriano

Os muitos gols marcados pelo atacante Adriano na Internazionale, de Milão, o fizeram ser chamado de Imperador. As polêmicas, no entanto, não demorariam a aparecer. Mesmo milionário, falou da intenção de voltar ao Brasil, para voltar a morar na Vila Cruzeiro, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. A partir de então, só confusões: primeiro apareceu em fotos portando metralhadoras e fazendo com as mãos o símbolo de uma facção criminosa carioca. Depois, começou a faltar aos treinos e a aparecer bêbado em várias ocasiões. Também protagonizou barracos com uma namorada em um baile funk. Por fim, surgiram os problemas de saúde causados pelo alcoolismo.

Simon Bruty/Getty Images Sport/Getty Images

Paul Gascoigne

O futebol britânico estava atolado nas jogadas burocráticas dos cruzamentos na área, sem brilho, quando surgiu Paul Gascoigne. Iniciou sua carreira em 1985 e logo chamou a atenção pelo grande talento e raça impressionante em campo. Infelizmente, sua carreira foi minada pelo seu comportamento autodestrutivo. Alcoólatra, foi afastado várias vezes das equipes que defendia por indisciplina. Quando jogava, agredia atletas e árbitros, sendo punido com vários jogos de suspensão. Nos anos 1990, colecionou escândalos: agrediu a esposa e aparecia bêbado em vários eventos públicos. Tudo isso o fez encerrar a carreira em 2002. Sem dinheiro, tentou retornar, mas nunca retomou o velho brilho. Hoje, enfrenta dificuldades econômicas.

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Mario Balotelli

Italiano filho de ganeses, Mario Balotelli coleciona boas atuações e polêmicas com a mesma velocidade. Primeiro, chamou a atenção por não comemorar seus gols. “Esse é meu trabalho. Entregador de pizza comemora quando faz seu serviço?”, disse certa vez. Jogando pela Internazionale, apareceu na TV usando a camisa do Milan, o maior rival. Ainda trocou empurrões com o técnico Roberto Mancini e foi acusado de ligação com a Máfia. De quebra, fez uma declaração polêmica em abril de 2013: disse que se o Real Madrid se classificasse à final da Liga dos Campeões, deixaria sua noiva dormir com todos os jogadores do time espanhol. Ele não perdeu a aposta, mas ficou sem a namorada, que o deixou.

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Zidane

Imagine, em plena final da Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, um jogador dar uma cabeçada em outro e conseguir derrubá-lo. E a vítima não era nenhum atacantezinho, mas o carniceiro zagueiro italiano Materrazzi. O autor da agressão é um dos maiores jogadores dos últimos 20 anos, o francês de origem argelina Zinedine Zidane. Visto pela TV por milhões de pessoas, o ato lhe valeu uma expulsão, que prejudicou sua equipe e impediu que a França conquistasse seu segundo título mundial. A carreira brilhante do craque à frente de sua seleção foi interrompida da forma mais polêmica possível. Alguns o chamaram de violento, outros destacaram seu brio e atitude.

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Romário

Romário de Souza Faria, um dos maiores goleadores do futebol brasileiro, começou cedo a carreira de confusões. Em 1985, foi cortado da seleção brasileira sub-20 por fazer xixi na janela de um hotel em Copacabana. Artilheiro extremamente habilidoso, conciliava grandes atuações com polêmicas gigantescas. Em 1991, brigou com o técnico da Amarelinha, Carlos Alberto Parreira, por ter ficado no banco em um amistoso. Foi afastado, mas voltou em 1993 por se mostrar imprescindível para a Copa de 1994, que ajudou a conquistar. Além de faltar a treinos constantemente, protagonizou discussões com jogadores, técnicos e com ninguém menos que Pelé, sobre quem falou que “calado, era um poeta”. Encerrou a carreira e se elegeu deputado federal, mas continuou polêmico.