Que medicamentos de venda livre provocam o aborto?

Escrito por genevieve hawkins | Traduzido por a. araújo
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Que medicamentos de venda livre provocam o aborto?
Dados de 2013 apontam que ocorrem no Brasil 1,2 milhão de abortos (Patricia Castilho/Leaf Group)

De acordo com um artigo no periódico "American Family Physician" (Médico da família americana", em português), cerca de 80% das mulheres estadounidenses utilizam algum tipo de medicamento de venda livre ou com receita médica durante a gestação. Embora algumas dessas drogas sejam seguras em doses pequenas e algumas delas (como as utilizados em terapias de reposição de nicotina) possam ter benefícios que compensem os riscos, ainda assim há perigos consideráveis. Até mesmo remédios de venda livre comuns, como a aspirina, foram relacionados a maiores riscos de anomalias fetais e abortos espontâneos.

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Automedicação

Gestantes devem tomar cuidados redobrados com a ingestão de fármacos sem receita nem acopanhamento médico. Mesmo remédios para gripes, tosses e resfriados contêm substâncias que podem atravessar a placenta e expor o feto aos seus efeitos farmacológicos e adversos. A tosse, por exemplo, pode ser sintoma de diversas patologias que, na maioria dos casos, não trazem riscos para a futura mamãe nem para o bebê. "Mas sempre tentamos evitar prescrever xaropes que contenham vasoconstrictores, como a efedrina, ou sedativos em geral, pois podem passar pela circulação uteroplacentaria e eventualmente prejudicar o feto", afirma a ginecologista e obstetra Regina Paula Ares em artigo no site Bolsa de Mulher. Por sua vez, a congestão nasal também merece atenção, pois os descongestionantes podem provocar aumento da pressão arterial ou taquicardia maternos, prejudicando também o feto ao diminuir as trocas de nutrientes entre mãe e filho. Entre os efeitos adversos estão a taquicardia fetal, perda de peso fetal e hipoglicemia pós-natal. Ao tratar a gestante, os benefícios da medicação devem ser superiores aos riscos para o feto.

Durante o primeiro trimestre de gestação, os fármacos podem produzir malformações congênitas, principalmente entre a 3ª e 11ª semana de gravidez. Nesse período, os medicamentos devem ser evitados sempre que possível. Se a prescrição for necessária, é aconselhável receitar os já largamente utilizados, em vez dos novos, na menor dose eficaz, optando por formulações com um só fármaco, em vez de outras com dois ou mais componentes. Durante o segundo e terceiro trimestres, os remédios podem afetar o crescimento e o desenvolvimento funcional do bebê ou ter efeitos tóxicos sobre os tecidos fetais. Se dados à mãe muito próximo do fim da gravidez, ou durante o parto, podem ter efeitos adversos não só na evolução do trabalho de parto como no recém-nascido.

Efeitos

A maioria dos medicamentos associados a maior risco de aborto são vendidos apenas com receita médica. Incluem-se na categoria isotretinoina, comercializado como Roacutan (para o tratamento da acne), remédios para o controle do colesterol, como o Lipitor, iodo radioativo, contraceptivos hormonais (como a pílula do dia seguinte) e o DES para o tratamento do câncer. Prostokos, Cytotec (ambos misoprostol) e RU-486 (mifepristona) são conhecidos por causar abortos. No Brasil, o Prostokos é restrito ao uso hospitalar, enquanto RU-486 e Cytotec não possuem registros na Anvisa e não podem ser vendidos no País, onde são obtidos apenas por meio de contrabando. Por sua vez, remédios de venda livre também podem aumentar os riscos de defeitos de nascença e abortos. Estão incluídos nesse grupo a aspirina e os medicamentos utilizados na terapia de reposição de nicotina.

Considerações

De acordo com o site vitaminsdiary.com, muitos suplementos à base de plantas adquiridos em lojas de alimentos naturais podem causar abortos espontâneos. Plantas como cohosh preto e azul, raiz de manjericão e hidraste podem desencadear contrações uterinas, levando ao aborto caso a gestante não esteja na gravidez a termo. Outras plantas — como o ginseng e a artemísia — podem causar defeitos de nascença. Converse com seu médico antes de ingerir qualquer suplemento à base de plantas, mesmo aqueles que acredite serem inofensivos.

Benefícios

A maioria dos medicamentos de venda livre devem ser utilizados apenas na dose mínima necessária para controlar sintomas e deve-se utilizar a substância menos tóxica da categoria (prefira acetaminofeno a aspirina, no caso de dores de cabeça, e clorfeniramina a guaifenesina, no caso de resfriados). Os riscos de muitos medicamentos de venda livre relacionados à gravidez são baixos e algumas vezes seus benefícios superam os riscos.

Avisos

Todos os medicamentos devem ser utilizados na dose efetiva mínima para diminuir os riscos de aborto e defeitos de nascença. Converse com seu médico sobre quaisquer medicamentos e suplementos que usa ou planeja usar.

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