Didi ou Renato Aragão: a carreira e as polêmicas do líder dos trapalhões

••• Créditos: Globo/Estevam Avellar

Renato Aragão é um dos nomes mais importantes da história da televisão brasileira. Ator, diretor e produtor, ele ficou conhecido em todo o País como Didi Mocó, principal personagem do humorístico "Os Trapalhões". Em seus mais de 50 anos de carreira, comandou várias equipes em diferentes emissoras. Além do sucesso na TV, ele também obteve grande êxito no cinema: dos dez filmes com as maiores bilheterias no Brasil, sete foram estrelados por ele. Mas o artista também teve uma trajetória permeada por polêmicas. Conheça um pouco de sua história.

Overview

Renato Aragão é um dos nomes mais importantes da história da televisão brasileira. Ator, diretor e produtor, ele ficou conhecido em todo o País como Didi Mocó, principal personagem do humorístico "Os Trapalhões". Em seus mais de 50 anos de carreira, comandou várias equipes em diferentes emissoras. Além do sucesso na TV, ele também obteve grande êxito no cinema: dos dez filmes com as maiores bilheterias no Brasil, sete foram estrelados por ele. Mas o artista também teve uma trajetória permeada por polêmicas. Conheça um pouco de sua história.

O início da carreira

Reprodução revistaamiga-novelas.blogspot.com

Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Ceará, em 1961, Renato Aragão jamais chegou a atuar na advocacia. Antes mesmo de concluir o curso universitário, ele já se enveredara no mundo artístico. Em 1959, se inscreveu em um concurso para produzir programas na TV Ceará. Foi escolhido e passou a trabalhar como diretor, redator e produtor. No ano seguinte, já atuava também como ator, protagonizando o Vídeo Alegre, atração em que apresentava diversos esquetes sem falas. Era o início de uma longa e rica carreira na TV e cinema nacionais.

A ida para o Rio

Reprodução pousodaverdade.blogspot.com

Com o sucesso local, Renato Aragão resolveu alçar novos voos e se mudou para Rio de Janeiro em 1964. Na Cidade Maravilhosa, fez cursos de direção de programas e deu um passo importante para crescer no meio televisivo. Com os estudos, conseguiu ser contratado pela TV Tupi. Seu primeiro trabalho foi no humorístico "A, E, I, O, URCA", que logo fez bastante sucesso. Nesse mesmo período, fez suas primeiras incursões no cinema, nos filmes "Na Onda do Iê-Iê-Iê" e "A Pedra do Tesouro", em 1965. No ano seguinte, participou de "Adorável Trapalhão" e "A Ilha dos Paqueras".

Na Excelsior, seu programa próprio

Reprodução oblogdaroberta.blogspot.com

Em 1966, Renato Aragão trocou de emissora: saiu da TV Tupi e foi para a Excelsior, em São Paulo. Foi nessa nova casa que o artista conseguiu realizar seu grande sonho: o lançamento de um programa próprio, em que liderava um grupo de quatro humoristas. Ele, o cantor Wanderley Cardoso, o ator Ivon Cury e o astro da luta livre Ted Boy Marino compunham a trupe, que passou a liderar o show "Os Adoráveis Trapalhões". Foi nesse programa que Aragão popularizou o personagem Didi Mocó, um cearense estabanado mas também malandro, criado em 1960. Ele se tornaria o principal personagem da atração.

Um passo para o estrelato

Créditos: TV Globo / Marcio Nunes

Renato Aragão conseguiu bons índices de audiência com Os Adoráveis Trapalhões, mas o mais importante foi a consolidação de um estilo: o programa contava com vários esquetes humorísticos estrelados por quatro artistas, em que cada um deles possuía um estilo de atuação diferente. Ele aperfeiçoaria esse formato anos depois, em 1971, quando foi contratado pela TV Record. Lá, ele comandou o programa "Os Insociáveis", ao lado de Manfried Santana, o Dedé, e Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum. Os três personagens se encaixaram como uma luva e formaram um grupo coeso. Mas ainda faltava um integrante para formar o quarteto.

Nascem "Os Trapalhões"

Reprodução muraldamusica.blogspot.com

Didi, Dedé e Mussum trabalharam juntos na TV Record até 1974, quando foram contratados pela TV Tupi. Foi nessa época que conheceram o integrante que faltava: Mauro Gonçalves, o Zacarias. "Os Insociáveis" passaram então a ser chamados de "Os Trapalhões", mesmo nome do programa que começaram a apresentar na nova emissora. Nesse mesmo período, a trupe passou a atuar em uma série de filmes. Os primeiros foram "Robin Hood, o Trapalhão da Floresta" (1974), "O Trapalhão na Ilha do Tesouro" (1975), "Simbad, O Marujo Trapalhão" e "O Trapalhão no Planalto dos Macacos", os dois últimos em 1976.

Sucesso na Globo

Reprodução www.leriaselixos.com.br

Em 1977, Os Trapalhões mudaram de casa, passando da Record para a Globo. Nessa época, a emissora carioca já era a líder incontestável de audiência e isso foi fundamental para que o quarteto obtivesse sucesso avassalador. O programa, que era exibido nas noites de domingo, logo se tornou uma das principais atrações globais. Foi nesse período que Renato Aragão e companhia estrelaram os filmes de maior sucesso, como "O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão" (1977), "O Cinderelo Trapalhão" (1979), "Os Saltimbancos Trapalhões" (1981) e "Os Trapalhões na Serra Pelada" (1982).

Didi versus Os Trapalhões

Reprodução YouTube|mateus henrique

A relação entre Renato Aragão e seus companheiros de trabalho atingiu um momento complicado em 1983. Na época, os negócios do grupo eram administrados pela "Renato Aragão Produções", mas houve discordância quanto à divisão dos lucros. Dedé Santana, Mussum e Zacarias alegaram ser prejudicados pelo colega e resolveram acabar com o grupo. Naquele mesmo ano, fundaram uma empresa própria, a DeMuZa, e estrelaram o filme "Atrapalhando a Suate". A produção obteve bilheteria fraca e, seis meses depois, o grupo voltou a se reunir.

Criança Esperança

Créditos: TV Globo / Divulgação

Com grande prestígio na Rede Globo, Renato Aragão resolveu criar uma grande iniciativa beneficente: o Criança Esperança, com apoio da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Com muitas horas de duração e mobilizando grande parte do casting da emissora, o programa contava com diversos shows e apresentações e tinha como função atrair a doação do público para programas assistenciais. O grande sucesso fez com que a iniciativa passasse a ser repetida todos os anos. No entanto, começaram a circular boatos de que alguns artistas eram obrigados a se apresentar no evento.

O fim dos Trapalhões

Reprodução www.ostrapalhoes.net

Em março de 1990, Mauro Gonçalves, intérprete de Zacarias, morreu de insuficiência respiratória. A morte do integrante causou um grande impacto no trio, que mesmo assim continuou atuando junto até julho de 1994, quando faleceu Mussum, por problemas cardíacos. Em 1995, os remanescentes Didi e Dedé continuaram com o programa, mas com um formato diferente. Os quadros inéditos passaram a ser espaçados por reprises dos melhores momentos e encontros com artistas que estiveram presentes nesses momentos clássicos. Em 1997, o programa foi ao ar pela última vez.

A Turma do Didi

Créditos: TV Globo/Raphael Dias

Em 1998, Renato Aragão voltou a liderar um programa humorístico na televisão. O humorístico "A Turma do Didi" era mais voltado ao público infantil, ao contrário de Os Trapalhões, dirigido a um público mais diversificado. O programa foi exibido até 2010, com várias participações artísticas, como os atores Roberto Guilherme (conhecido como Sargento Pincel), Tadeu Mello e o ex-dançarino Edson Cardoso, o Jacaré (ex-integrante do grupo É o Tchan). O momento marcante do período foi o reencontro entre os personagens Didi e Dedé. O programa, no entanto, sempre obteve baixos índices de audiência.

Polêmicas recentes

Créditos: Globo/Raphael Dias

Sem o mesmo sucesso de antes, Renato Aragão passou a ganhar o noticiário por diversas polêmicas. Um de seus ex-funcionários afirmou ter sido demitido por tê-lo chamado de Didi e não de "Doutor Renato". Em seguida, o jornal O Dia noticiou que ele teria obrigado pedreiros que trabalhavam em sua residência a trazerem água e comida de casa. Em depoimento na internet, o artista negou tudo. Anos depois, Aragão se tornou alvo de piadas na internet por contar em várias edições do Criança Esperança a mesma história de uma criança que, segundos antes de morrer de fome, perguntava à mãe se havia pão no céu.

Mais recentes

×