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12 curiosidades sobre a Independência do Brasil

Independêcia ou morte?
Getty Images

Introdução

Colonizado por Portugal desde o início do século 16, o Brasil finalmente se libertou do jugo colonial em 7 de setembro de 1822. A história conta que a independência da Nação foi proclamada justamente pelo então administrador português, o príncipe regente D. Pedro de Alcântara. Impetuoso, o jovem logo se afeiçoou ao novo país, que conhecera em 1808, e tomou para si a missão de emancipar os brasileiros do reino lusitano. Além da história oficial, há diversos relatos que enriquecem o fato histórico. Outros, por sua vez, tratam justamente de desmentir algumas crenças sobre o período. Conheça algumas dessas curiosidades.

Maria Leopoldina enviou uma carta ao marido pedindo pela independência do Brasil
Reprodução Wikimedia Commons|Georgina de Albuquerque|Domínio público

Esposa deu o aviso primordial

O incentivo mais importante para D. Pedro declarar a independência do Brasil veio de sua esposa, Maria Leopoldina. Informada sobre a intenção de Portugal de aumentar a repressão contra os brasileiros, ela enviou uma carta ao marido, que estaria em São Paulo. "Com o vosso apoio ou sem o vosso apoio ele (Brasil) fará a sua separação. O pomo está maduro, colhei-o já, senão apodrece", dizia a missiva. D. Pedro recebeu a carta, mas com certo atraso: quando ela foi enviada, o príncipe regente estava no litoral, visitando sua amante Domitila de Castro, a Marquesa de Santos.

O lugar do famoso grito do Ipiranga é controverso
Reprodução Wikimedia Commons|Pedro Américo|Domínio público

O grito não foi no Ipiranga

Os primeiros versos do Hino Nacional narram como teria sido o momento em que o Brasil proclamou sua independência: "Ouviram do Ipiranga às margens plácidas/ de um povo heroico o brado retumbante". Mas a verdade é que D. Pedro não estava junto ao rio quando deu o famoso grito "Independência ou Morte". Na verdade, ele estava no alto de um morro, a uma certa distância do leito do Ipiranga. Além disso, um fato curioso teria antecedido o grande momento: o jovem príncipe regente enfrentava uma indisposição intestinal durante a viagem de Santos a São Paulo, aliviando-se pouco antes do grito.

Reprodução Wikimedia Commons|Simplício Rodrigues de Sá - Museu Imperial de Petrópolis|domínio público

D. Pedro não estava em um cavalo

Uma das cenas que ficaram marcadas no imaginário nacional é a de D. Pedro montado em seu cavalo, erguendo a espada e libertando o Brasil. A imagem, que ganhou força graças ao quadro "Independência ou Morte", de Pedro Américo, é pura ilusão. A começar pela montaria do então príncipe regente: ele vinha da cidade de Santos, o que significa que teve de subir a Serra do Mar. Em 1822, não havia rodovias como hoje e o caminho era feito pela precária Calçada do Lorena, uma íngreme estrada de pedras que só poderia ser vencida por mulas, nunca por cavalos.

D. Pedro compôs um hino para celebrar a independência brasileira
Reprodução Wikimedia Commons|Augusto Bracet|domínio público

Além de libertador, compositor

Logo após ter proclamado a independência, D. Pedro compôs uma música para celebrar o fato. Evaristo da Veiga incluiu a letra ao tema, que se tornou o Hino Nacional Brasileiro. No entanto, ela cairia em desuso em 1931, quando o imperador D. Pedro I enfrentou baixíssima popularidade. Uma nova canção foi adotada para representar o jovem país e a composição do antigo imperador acabou se tornando o Hino da Independência, tal como é hoje. A canção é conhecida pelo refrão: "Brava gente brasileira/ longe vá temor servil/ ou ficar a pátria livre/ ou morrer pelo Brasil".

José Bonifácio de Andrada e Silva, cerebral e estrategista
Reprodução Wikimedia Commons|Benedito Calixto|domínio público

José Bonifácio

Coube a José Bonifácio de Andrada e Silva, apelidado de "Patriarca da Independência", organizar o País politicamente para se libertar de Portugal. Este se destacou pela erudição e ideias políticas avançadas para a época. Foi o principal conselheiro do jovem príncipe regente, incitando-o a liderar a emancipação política. Defendeu o fim da escravidão, a reforma agrária (com o fim dos latifúndios improdutivos) e a criação de uma nova capital, no interior do País. Com a independência, assumiu os ministérios do Interior e das Relações Exteriores. Não conseguiu aplicar seus projetos, mas lançou sementes para sua adoção no futuro.

A Independência foi forjada com muitas batalhas
Reprodução Wikimedia Commons|Oscar Pereira da Silva|domínio público

Houve uma guerra de independência

Ao contrário do que usualmente se ensina nos colégios, o Brasil não garantiu sua independência no grito, apenas com uma declaração formal. Os brasileiros tiveram de pegar em armas para garantir a autonomia política. Isso ocorreu porque o Reino de Portugal não reconhecia a nova nação. Para complicar, a grande maioria dos oficiais que faziam a segurança na antiga colônia eram nascidos no país europeu. Houve batalhas entre brasileiros e portugueses em várias regiões, especialmente no Pará, Bahia, Pernambuco e na Província Cisplatina (atual Uruguai). Somente em 1824 as tropas pró-emancipação conseguiram expulsar os inimigos.

Um brilhante almirante escocês foi chamado para ser o comandante supremo dos navios brasileiros na luta contra Portugal
Reprodução Wikimedia Commons|James Ramsay; John Cook|domínio público

Um mercenário estrangeiro como herói

Entre os principais nomes da independência do Brasil está o de um brilhante almirante escocês. Lord Thomas Alexander Cochrane se consagrou oficial da Marinha Real Britânica no início do século 19, após seu grande desempenho nas Guerras Napoleônicas, contra a França. Em 1817, a marinha do Chile o contratou para lutar pela emancipação, contra os espanhóis. Com mais esse sucesso, foi chamado para ser o comandante supremo dos navios brasileiros na luta contra Portugal. Mesmo com uma frota muito menor, ele obteve vitórias cruciais. Depois dessa campanha, ele ainda defenderia a Grécia contra o Império Otomano, de 1827 a 1828.

A Maçonaria teve protagonismo no processo de independência do Brasil
Reprodução Wikimedia Commons|domínio público

Apoio da Maçonaria

A Maçonaria, espécie de sociedade fraternal surgida na Europa, se tornou um dos principais pilares do processo de independência do Brasil. José Bonifácio, o Patriarca da Independência, era maçon, assim como outros homens influentes da sociedade brasileira da época, como o jornalista Joaquim Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira, redator do primeiro código criminal brasileiro, em 1827. Os maçons lideraram movimentos de independência em vários países americanos, inspirados pelos ideais da Revolução Francesa. Saíram das lojas maçônicas lideranças como Simón Bolivar e San Martin, libertadores dos países hispano-americanos, e George Washington, herói da independência dos Estados Unidos.

Portugal foi o responsável por obrigar o Brasil a contrair dívida externa
Reprodução Jean-Baptiste Debret|Domínio público

O nascimento da dívida externa

Até os primeiros anos do século 21, o Brasil ficou tristemente célebre por acumular a mais elevada dívida externa do mundo. Tinha como credores vários países ricos e os mais poderosos grupos financeiros do mundo. Toda essa história nasceu com a independência do país. Portugal exigiu o pagamento de uma indenização de 2 milhões de libras, valor que o recém-criado país não teria condições de pagar. Para resolver a questão, o imperador D.Pedro contraiu um empréstimo junto à Inglaterra, para fazer o pagamento. Para pagar esse débito, foram necessários outros empréstimos nas décadas seguintes. O problema persistiu por muitos anos.

Angola poderia ter se tornado território brasileiro
Reprodução Wikimedia Commons|domínio público

Angola quase virou território brasileiro

Em 1822, Portugal contava com várias colônias no território africano, como Moçambique e Angola. Essa última tinha uma estreita relação com o Brasil por ser local de origem da grande maioria dos negros que aportaram aqui. Muitos dos principais comerciantes de escravos que atuavam na África eram brasileiros degredados. Por isso, havia um interesse mútuo de que o território angolano deixasse o controle português e passasse para o brasileiro. Isso só não aconteceu porque o Reino de Portugal exigiu, entre outras coisas, que o Brasil não incorporasse outras colônias lusitanas.

A pintura "Independência ou Morte" gera curiosidades até hoje
Reprodução Wikimedia Commons|Pedro Américo|domínio público

Quadro foi pintado na Europa

Um dado curioso sobre o já citado quadro "Independência ou Morte" é que ele não foi pintado logo após a emancipação do Brasil, como chegou a ser divulgado. Até mesmo porque seu autor, o artista plástico Pedro Américo, nem era nascido em 1822 (ele viria ao mundo 21 anos depois). Na verdade, o quadro seria pintado apenas em 1888, já no final do segundo reinado (a Proclamação da República ocorreria no ano seguinte). A esta época, Pedro Américo sequer estava no Brasil. Quando recebeu do Império Brasileiro a encomenda da obra, ele se encontrava na cidade de Florença, na Itália.

Outros acontecimentos históricos marcam as datas cívicas
Reprodução Wikimedia Commons|Antônio Parreiras|domínio público

Outros "Dias da Independência"

Sete de setembro é a principal data cívica na maior parte do Brasil. No entanto, em dois Estados isso não ocorre. O Dia da Independência é suplantado por acontecimentos referentes à guerra com Portugal. Na Bahia, houve um longo conflito entre brasileiros e portugueses, que começou antes do grito de D. Pedro e se arrastou até 2 de julho de 1823, data hoje celebrada pelos baianos. Pouco mais de um mês depois, em 15 de agosto, foi a vez de a província do Grão-Pará e Maranhão encerrarem um conflito e reconhecerem a independência do País.