O que causa o pensamento fixo?

Escrito por peter evans | Traduzido por lara scheffer
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O que causa o pensamento fixo?
O pensamento fixo geralmente oculta a ansiedade e confusão profundas (Jupiterimages/Photos.com/Getty Images)

O psicanalista britânico D. W. Winnicott sugeriu uma vez que a sanidade depende da capacidade de duvidar; por definição, pessoas que sofrem com o pensamento fixo acham isso extraordinariamente difícil. Às vezes, a rigidez é confundida com determinação ou liderança, mas na realidade a determinação e liderança genuínas exigem grande flexibilidade de pensamentos. O analista contemporâneo junguiano, Andrew Samuels, sugere que o pensamento fixo chegue como um voo de confusão desorientadora, uma confusão que o psicanalista Eric Brenman acredita que possa causar ansiedade extrema.

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Um escudo protetor

Os pais de crianças pequenas os protegem da complexidade desconcertante do mundo, filtrando cuidadosamente os estímulos transmitidos pelo ambiente em "doses" adequadas. Estudos de psicanalistas sugerem que falhas nessa função dos pais ou falhas na habilidade de internalizar um pai protetivo e amoroso como parte central no desenvolvimento da mente levam a graves distúrbios cognitivos e emocionais mais tarde, na infância e na vida adulta. Sem esse filtro protetor, a mente da criança acaba sitiada por estímulos incompreensivos.

Defesas de emergência

O que acontece quando uma mente imatura recebe informações que ainda não pode processar? A psicanalista húngara Melanie Klein, que vez observações clínicas meticulosas de crianças problemáticas, descobriu que elas recorrem a extremas "operações de emergência" ou "defesas primitivas" em suas mentes. Uma grave operação de emergência que ela descreveu, a "divisão", envolve uma tentativa desesperada de separar os sentimentos e percepções dolorosas e perturbadoras das calmas e reconfortantes. Processos arraigados de divisão na mente bloqueiam a integração necessária para o verdadeiro aprendizado.

Divisão ou integração?

Avaliar a realidade consiste em ser tolerante com experiências boas e ruins em tempo suficiente para aprender com elas e aprender a julgá-las. Mas a divisão excessiva interfere de forma desastrosa nesse processo; experiências "ruins" são expulsas da mente imediatamente e presas ou "projetadas" a uma fonte externa — efetivamente, um bode expiatório — ao invés de serem estudadas e avaliadas. O desejo da divisão ocorre em um instante; o aprendizado real leva mais tempo. Aguentar o desconforto nutre os pensamentos flexíveis e os testes de realidade inteligentes; a divisão e projeção produzem os pensamentos fixos e reativos.

Pensamento fixo e divisão

Quando persistente e frequente, a divisão produz um padrão fixo do chamado "pensamento", embora "rotulagem primitiva" talvez descreva o resultado de forma mais correta. Em resumo, quanto maior o grau de divisão, mais fraca se torna a habilidade de ficar com experiências desconfortáveis, comprometendo radicalmente a habilidade de aprender com elas no processo. Em casos extremos, a divisão constante resulta em um grave distúrbio mental, como esquizofrenia (literalmente, a divisão da mente em fragmentos bizarros e incoerentes).

O valor da ambivalência

A habilidade de possuir experiências contrastantes, sentimentos controversos e pensamentos incompatíveis ao mesmo tempo na mente resulta na ambivalência, a habilidade de estudar as dimensões completas de um conflito. Dessa capacidade preciosa, o amor e empatia pela complexidade e conflitos humanos cresce. Quando a capacidade da contemplação ambivalente sucumbe à divisão, a rigidez, a mente fechada e, muitas vezes, a crueldade surgem. A certeza inflexível muito comum — uma aversão à duvida orientada pela ansiedade — sugere a presença de medo e confusão profundos.

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