Descrição da coloração de gram da tuberculose

Escrito por martine altidor | Traduzido por fabiana silva
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Descrição da coloração de gram da tuberculose
A visualização microscópica é o primeiro meio de identificação da tuberculose (microscope image by Fotocie from Fotolia.com)

A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis e é uma doença respiratória caracterizada por formações de tubérculos, necrose, abcessos, fibrose e calcificação nos pulmões. Ela também pode infectar os rins, os linfonodos, os ossos, as articulações e a pele.

O diagnóstico laboratorial primário desse bacilo envolve a sua coloração para visualizar as bactérias sob o microscópio. A amostra de escolha é o escarro ou o lavado broncoalveolar para identificar a infecção respiratória ou uma amostra de tecido real.

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Fisiologia

A mycobacterium tuberculosis é um organismo em forma de bastonete (bacilos), não-móvel, não-esporo obrigatório. Essa bactéria mede 0,4x3 micrômetros de comprimento e sofre fissão binária (divisão da célula reprodutora) a cada 15 a 24 horas, que é considerado lento em comparação com outras bactérias. Devido a isso, a mycobacterium pode levar até nove semanas para aparecer no meio de cultura.

Esse organismo é sensível à luz UV e ao calor (como, por exemplo, a pasteurização), mas resiste aos desinfetantes químicos.

Coloração de gram

A mycobacterium tuberculosis não pode ser verdadeiramente classificada como gram-positiva ou gram-negativa. Essa classificação é feita com base na quantidade de peptidoglicano na parede celular de uma bactéria. Uma espécie gram-positiva possui uma camada espessa dessa molécula (cerca de 90%), enquanto que uma gram-negativa possui uma camada fina (de 5% a 20%). As colorações de gram penetram na parede celular e se ligam aos componentes químicos existentes nela. Sob o microscópio, as bactérias tingidas assumirão a cor roxa ou rosa.

Com a mycobacterium tuberculosis, a parede celular é composta de peptidoglicano, mas também lipídios complexos que inibem a penetração do corante de gram. A parede celular também resiste à descoloração pelo ácido ou álcool e, por isso, a mycobacterium é denominada "ácido-resistente". Os lipídios da parede celular são ácido micólicos, fator corda e cera-D. Se as bactérias tivessem de ser tingidas, as células apareceriam gram-positivas ou ligeiramente pálidas com muito pouca cor.

Para se visualizar as bactérias, colorações especiais, tais como a coloração Aumarina ou de Zhiel-Neelson, devem ser utilizadas.

Coloração aumarina-rodamina

O processo utilizando auramina-rodamina usa um corante fluorescente amarelo para visualizar a mycobacterium tuberculosis sob um microscópio por fluorescência. O permanganato de potássio ou a laranja de acridina pode ser usada como um corante de contraste. Sob as lentes, as células bacterianas aparecerão verdes.

O corante auramina-rodamina é mais sensível do que o Zhiel-Neelson e mais economicamente viável.

Coloração Ziehl-Neelson

A coloração de Ziehl-Neelson foi criada pelos cientistas Franz Ziehl e Friedrich Neelsen, e utiliza carbol-fucsina aquecida, uma alta concentração de ácido-álcool e um corante de contraste, como a malaquita verde ou o azul de metileno. Sob um microscópio de fluorescência, as células bacterianas aparecerão rosa brilhante.

O corante de Ziehl-Neelson é o padrão de excelência para a identificação preliminar de mycobacterium tuberculosis e mycobacterium leprae.

Ágar

Secundária à identificação de microscopia, a mycobacterium tuberculosis deve ser cultivada em uma cultura especial de ágar. A gelatina de Lowenstein-Jensen tem substâncias orgânicas complexas (como, por exemplo, ovo e batata), sais, glicerol e verde malaquita (que inibe outras bactérias). Antibióticos podem ser adicionados para inibir ainda mais os micro-organismos contaminantes. A amostra é colocada nesse ágar, e as bactérias crescem em três a nove semanas.

Uma solução de cultura de nutrientes, como a albumina e a biotina, pode ser usada para apoiar o crescimento até da menor quantidade da bactéria alvo. Isso é conhecido como meio de Middlebrook 7H9 (ou 7H12).

Em ambos os meios, as colônias aparecerão como pequenas colônias lustradas, na cor marrom-claro.

Com a tecnologia avançada, a mycobacterium tuberculosis agora pode ser cultivada usando um leitor automatizado. Uma solução líquida de meio de Middlebrook 7H9 e um composto indicador fluorescente são utilizados para monitorar o crescimento e a reportar a infecção positiva ou negativa.

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