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Programa Mais Médicos: realmente faltam médicos no Brasil?

Uma das mais polêmicas ações do governo federal, o programa Mais Médicos gerou uma grande discussão nas mesas de bar e também nas redes sociais. Afinal, é necessário a importação de agentes da saúde? Já não temos profissionais em número suficiente? Algumas pessoas alegam que as autoridades deveriam investir mais na estrutura do sistema de saúde, construindo mais hospitais e Unidades de Pronto Atendimento. Outras, por sua vez, defendem que só com ampliação no material humano será possível reduzir as filas no atendimento. Conheça um pouco dessa iniciativa e saiba porque ela se tornou necessária.

O programa Mais Médicos trouxe mais de 9 mil profissionais do exterior (Thinkstock Images/Stockbyte/Getty Images)

Insatisfação com o SUS

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou em 2011 uma pesquisa tendo como foco a satisfação dos brasileiros com o SUS (Sistema Único de Saúde). Com 2.773 entrevistados, o levantamento revelou que 58,1% da população acredita que a falta de médicos é o principal problema encontrado no sistema. Os frequentes casos de caos no atendimento em unidades de saúde, sempre divulgados pelos meios de comunicação, corroboram essa tese. Filas gigantescas e pacientes jogados nos corredores de hospitais se tornaram uma imagem frequente.

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Número reduzido de médicos

De fato, o Brasil conta com um número limitado de profissionais. De acordo com levantamento do Ministério da Saúde, o país conta com uma média de apenas 1,8 médicos por mil habitantes. Trata-se de um índice menor do que o de muitos países pobres ou em vias de desenvolvimento, como Venezuela (1,9), México (2), Argentina (3,2) e Uruguai (3,7). Cuba, um dos países que mais exportaram agentes de saúde para o território brasileiro, soma seis médicos para cada mil pessoas.

Distribuição desigual

Não bastasse o número reduzido de médicos, o Brasil ainda sofre com uma forte concentração de profissionais nos centros mais desenvolvidos. Ou seja, justamente nas regiões mais carentes do Brasil, a escassez é ainda maior. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 22 das 27 Unidades da Federação estão abaixo da média nacional. Ainda de acordo com o levantamento, nada menos que 700 municípios (15% do total) não tinham nenhum agente de saúde antes da adoção do Programa.

O Programa

Diante da falta de profissionais no Brasil, o Ministério da Saúde resolveu criar o programa Mais Médicos, que consiste na contratação de 9,5 mil agentes de vários países do exterior, para que atuem nas regiões mais carentes do Brasil. Cubanos, espanhóis e portugueses são os mais numerosos entre os que atenderam ao chamado do governo federal. Devidamente treinados para atender aos pacientes brasileiros, eles ocuparam as vagas que não foram aceitas por brasileiros, em uma convocação preliminar.

Tendência mundial

Trazer profissionais, em grande número, para completar o quadro de gestão da saúde é uma novidade no Brasil. No entanto, esta é uma prática bastante comum em vários países, inclusive nos mais desenvolvidos no campo socioeconômico. Na Inglaterra, por exemplo, nada menos do que 37% dos médicos são formados em outros países. O Canadá também tem um índice elevado: 22%. Outro que entra nessa relação é a Austrália, que registra 17% de seus agentes de saúde com formação no exterior. Até o início do programa Mais Médicos, o Brasil registrava o índice de 1,79%.

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Referências

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