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Quais são as oito metas do milênio da Unesco

As metas da Unesco pretendem mudar os rumos da política mundial
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Introdução

Quais são os maiores problemas que o mundo enfrenta no novo milênio? Essa pergunta, que intriga as mentes mais destacadas do planeta, é a base de uma promissora campanha desenvolvida pela ONU. No ano 2000, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançou uma proposta que atinge todos os 191 países do mundo. Depois de mobilizar toda sua equipe de especialistas, a Unesco analisou os maiores problemas mundiais. Como resultado do trabalho, foram estabelecidos os "8 Objetivos do Milênio". A ideia é que as metas da Unesco sejam um compromisso de todos os cidadãos. Conheça agora as metas que pretendem mudar o mundo para a melhor.

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Acabar com a fome e a miséria

Para acabar com a fome e a miséria em todo o mundo, a Unesco propões ações que devem ser postas em prática ao mesmo tempo. Primeiro, é preciso reduzir pela metade a proporção de pessoas que têm rendimento inferior a 1 dólar por dia, tendo em vista os dados comparativos de 1990 a 2015. Para se ter ideia, o número de pessoas que viviam abaixo da linha de pobreza era de 1,8 bilhão em 1990. A segunda proposta é fazer com que todos tenham trabalho em um emprego pleno e produtivo, incluindo mulheres e jovens. Estima-se que uma em cada quatro crianças do planeta estão abaixo do peso devido a dificuldades alimentares e financeiras.

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Educação básica de qualidade para todos

A segunda meta da Unesco é garantir que até o ano de 2015 todas as crianças do mundo sejam capazes de cursar e concluir o ensino primário. Nessa área, porém, a desigualdade econômica e social frustra os planos de educação. Ao todo, 69 milhões de crianças em idade escolar não estão estudando. Desse total, 31 milhões vivem na África subsaariana e 18 milhões vivem no sul da Ásia. Infelizmente, o atual ritmo de progresso nessa área está sendo insuficiente para atingir a meta até 2015.

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Igualdade entre sexos e valorização da mulher

A Unesco pretende eliminar a disparidade de gênero em todos os níveis de ensino até 2015. Nesse caso, a pobreza é a grande barreira para que mulheres, especialmente as mais velhas, tenham a oportunidade de estudar. Outro dado preocupante é que o número de homens supera o número de mulheres em trabalho remunerado em todo o mundo. A questão fica ainda mais complicada nos países mais pobres. Estima-se que a porcentagem de empregadas fora da agricultura chega aos 20% na Ásia meridional, Ásia ocidental e no norte da África. Em outros países, elas costumam ser relegadas a empregos vulneráveis, sem benefícios trabalhistas e nem mesmo segurança pessoal.

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Reduzir a mortalidade infantil

O quarto objetivo da Unesco é reduzir em pelo menos dois terços a mortalidade de crianças menores de cinco anos até 2015. Uma vitória nessa área aconteceu nos últimos anos com as medidas bem sucedidas de controle do sarampo. Nos países em desenvolvimento, a mortalidade infantil caiu de 100 (em 1990) para 72 (em 2008) a cada mil bebês nascidos vivos. Mas, ainda assim, o número não está caindo rápido o suficiente para atingir a meta. Quase nove milhões de crianças ainda morrem por ano antes de completar o quinto aniversário. As maiores taxas continuam a ser encontrados na África subsariana, onde uma em cada sete morre antes de completar cinco anos de idade (dados de 2008).

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Melhorar a saúde das gestantes

A mortalidade materna ainda apresenta números altos em todo o mundo, uma condição absolutamente inaceitável para o século 21. A Unesco pretende reduzir em três quartos essa taxa até 2015. Estima-se que mais de 350 mil mulheres morrem anualmente vítimas de complicações durante a gravidez ou no parto. Na África subsaariana, a proporção de risco de morte é de um em 30, comparado com um em 5600 dos países desenvolvidos. Outro dado alarmante é que crianças que perderam suas mães têm até 10 vezes mais chances de morrer prematuramente. O principal ponto de ataque dessa meta está no fato de que a maioria das mortes maternas são facilmente evitáveis com cuidados pré-natais, cuidados de higiene e acesso universal à saúde.

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Combater a AIDS, a malária e outras doenças

A sexta meta da Unesco é deter a propagação da AIDS, da malária e outras doenças como tuberculose e hanseníase. Felizmente, a propagação do vírus HIV parece ter se estabilizado na maioria das regiões. Graças aos remédios de tratamento e à utilização de métodos contraceptivos por parte dos jovens, cada vez mais pessoas conseguem sobreviver à doença. Ainda assim, cerca de 5.500 pessoas morrem por ano de doenças relacionadas à AIDS. O vírus continua liderando entre as causas de morte de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. Mas há esperança. O acesso ao tratamento em países de baixa e média renda aumentou dez vezes nos últimos cinco anos. No continente africano, cerca de 90% das mortes são decorrentes da malária, que é responsável por um quinto da mortalidade infantil.

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Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente

As metas da Unesco para o meio ambiente visam, em primeiro lugar, a promover o desenvolvimento sustentável reduzindo pela metade a proporção de pessoas sem acesso à água potável e esgoto até 2015. Para isso, o principal instrumento promovido pela organização é integrar os princípios de desenvolvimento sustentável na política internacional. Desde 1990, 1,7 bilhão de pessoas passaram a ter acesso à água adequada para consumo humano. Mas, infelizmente, 884 milhões de pessoas em todo o mundo ainda não têm acesso à água potável. E estima-se que 2,6 bilhões de pessoas não tenham acesso à medidas de saneamento básico, como banheiros ou latrinas. Trata-se, pelo próprio parecer da Unesco, da meta mais difícil de ser cumprida a tempo.

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Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento

A última meta da Unesco propõe que todos os países do mundo se unam para estimular o desenvolvimento em todo o planeta. A ideia é desenvolver um sistema baseado em regras que seja aberto, previsível e não discriminatório. Entre as principais medidas de parceria está a ajuda aos países menos desenvolvidos no que diz respeito a reduções tarifárias e renegociação da dívida externa. Essa parceria também se estende à empresas farmacêuticas para que elas proporcionem o acesso a medicamentos essenciais nos países em desenvolvimento. Outra providência é a cooperação do setor privado para tornar disponíveis os benefícios de novas tecnologias de informação, como o acesso à internet e conexões de banda larga.