A história do samba

Escrito por anna rangel
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A história do samba
O samba é a representação musical do Brasil para o mundo (LeAnDrOScArAnO/iStock/Getty Images)

O samba é o estilo musical mais conhecido do Brasil, dentro e fora do País. Popularizado no resto do mundo ainda nos anos 1940, ganhou reconhecimento sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, com as performances de Carmen Miranda, nascida em Portugal mas criada no Brasil. A canção "Aquarela do Brasil", e Ary Barroso, trouxe ao gênero sua fama, que hoje se manifesta na criação de rodas e escolas de samba em países como Inglaterra, França, Bélgica e Holanda. No Japão, é comum que se invista no lançamento de antigos sambistas, o que criou um mercado muito específico desse tipo de música no Brasil.

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Uma manifestação cultural de origem africana

O samba surgiu como derivado de um tipo de dança, de origem africana, trazida pelos negros escravizados no Brasil. Hoje, é considerada a principal manifestação cultural de nosso País. No início, o ritmo era muito popular apenas na região onde foi criado, o Recôncavo Baiano. Outras variantes do "batuque" eram encontradas, de acordo com historiadores, em Minas Gerais, Pernambuco, Maranhão e até mesmo em São Paulo. Mesmo assim, o samba de roda como o conhecemos foi mesmo concebido pelos escravos na região de Salvador, primeira capital brasileira e desde então um importante polo cultural.

A história do samba
O samba nasceu (sim!) na Bahia (Oli Scarff/Getty Images News/Getty Images)

O batuque conquista o Rio de Janeiro

Das rodas de samba na Bahia, o ritmo seguiu para o sudeste, onde conquistou o Rio de Janeiro. Os cariocas gostaram tanto daquele batuque que incorporaram o samba em sua cultura de tal forma que, hoje, o ritmo é visto como uma expressão musical e cultural da capital fluminense. Naquela época, o foco da produção cultural brasileira estava concentrado na antiga capital carioca, que recebia muitos grupos de ex-escravos negros, vindos da costa e do sertão baianos. Foi no sudeste que o ritmo ganhou influência de ritmos na época populares, como o xote e o lundu.

Os primeiros sambistas (que nós conhecemos)

O Rio de Janeiro, que era naquela época a capital do Brasil (primeiro do Império, e da República a partir de 1889), incorporou a nova dança trazida do Nordeste e com os ritmos que já eram populares ali, numa sonoridade que hoje pareceria até estranha aos ouvidos de conhecedores. Em 1917, é gravado o primeiro samba em disco, com o nome "Pelo Telefone", que alcançou notoriedade e foi responsável direto pela popularização do gênero musical pelo Brasil, que passou a ser divulgado em muito maior escala. Desta época são os sambas de Noel Rosa e Pixinguinha, entre outros "medalhões".

O samba como sinônimo de Rio de Janeiro

O samba carioca começou a ganhar a cidade com a associação do ritmo aos bailes de Carnaval e blocos carnavalescos dos bairros de Osvaldo Cruz e Estácio de Sá – este último tema de músicas de Luiz Melodia, que surgiria nos anos 1970 como um representante do samba do Rio. Entre os mais pobres, o gênero florescia principalmente nos morros da Mangueira, do Salgueiro e de São Carlos. Por isso, se popularizou chamar esse ritmo particular, oriundo das favelas, como "de raiz". Isso porque foi a partir dali que o ritmo, vindo da Bahia, se popularizou no Rio.

A história do samba
O samba ganhou o mundo a partir dos anos 50 (Sean Gardner/Getty Images News/Getty Images)

Malandragem, diversão e um pouco de amor

Se nos primeiros tempos o samba era um ritmo cujas letras tratavam da malandragem ou da vida no morro e nas favelas, esse cenário começa a mudar a partir do anos 1930 e 1940. É nesse momento que passam a ser reconhecidos sambistas e letristas como Antônio Maria, Dolores Duran, Batatinha e Lupicínio Rodrigues, que começam a se utilizar de uma temática mais voltada ao sentimento de amor perdido. Os historiadores do samba apontam que essas melodias foram grandes inspiradoras na criação da bossa nova pelos jovens de Copacabana, no fim dos anos 1950.

A popularização do samba como o conhecemos

Com o tempo, os blocos de Carnaval de rua se tornaram as escolas de samba que conhecemos hoje. No início, os sambas-enredo eram apenas musicados, sem letra. Isso mudou com o início da interferência do governo federal nos desfiles, patrocinada pela administração de Getúlio Vargas, que exigia que todos os sambas-enredo falassem sobre temas relevantes da história brasileira. Foi nesse período que o ritmo se tornou conhecido no exterior, aproveitando a política de boa vizinhança do País com os Estados Unidos. Foi também nessa época a primeira vez em que sambistas foram recebidos com honras para se apresentarem no Theatro Municipal do Rio.

A história do samba
Dos blocos de rua às atuais escolas de samba: muitas maneiras de se divertir (Matthew Lloyd/Getty Images News/Getty Images)

O samba de hoje

Foi a partir dos anos 1970 que o samba se consolidou como uma manifestação cultural de massa, representativa de todo o Brasil. Desta geração surgiram alguns dos nomes ainda hoje mais conhecidos, como Alcione, Bezerra da Silva, Paulinho da Viola, Cartola e Clara Nunes, que chegavam aos primeiros lugares nas paradas de rádio. O samba de partido-alto, com uma batida forte de percussão, mais surdo, pandeiro e tamborim, foi o que moldou as rodas de samba como as conhecemos nos dias de hoje. O estilo, que surgiu nos morros entre aqueles que escreviam e tocavam para escolas de samba, "desceu para o asfalto".

A história do samba
O samba que ouvimos hoje tem raiz nos anos 1970 (Chris Jackson/Getty Images Entertainment/Getty Images)

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