Características dos complexos de oxalato

Escrito por john brennan | Traduzido por beatriz palma
Características dos complexos de oxalato
Algumas plantas são capazes de acumular complexos de oxalato em suas folhas, o que pode torná-las nocivas à saúde animal (Jupiterimages/Photos.com/Getty Images)

Íons negativamente carregados, como o oxalato, são capazes de doar elétrons a um metal positivamente carregado, formando, assim, um complexo. Os íons negativamente carregados são chamados de ligantes. O oxalato é um ligante muito importante na química inorgânica e muitos complexos de oxalato apresentam características em comum. Eles também possuem papéis interessantes, talvez até mesmo indesejáveis, na biologia humana.

Solubilidade

Como uma regra geral, os complexos de oxalato tendem a ser insolúveis em água. Existem exceções; os elementos do grupo 1 da tabela periódica (potássio, sódio, etc) formam sais solúveis de oxalato. O complexo insolúvel com a pior fama é o oxalato de cálcio. A urina normalmente contém compostos destinados a prevenir a formação desse complexo mas, em alguns pacientes, ele cristaliza nos rins e em outras partes do trato urinário, formando caroços duros chamados de pedras nos rins.

Posições de coordenação

Muitos ligantes, como a água, formam complexos ligando-se a um íon de metal em apenas um lugar. O oxalato, por sua vez, liga-se com um íon em dois lugares, sendo eles seus dois oxigênios, ambos doando elétrons para o metal no centro. Por essa razão, os químicos o chamam de ligante bidentado. Às vezes, o oxalato pode formar complexos com um íon de metal enquanto que há outros ligantes envolvidos. O complexo oxalato de ferro II, por exemplo, apresenta duas moléculas de água que também agem como ligantes.

Série espectroquímica

O princípio da incerteza de Heisenberg diz que não é possível determinar, ao mesmo tempo, a localização e o momento de um elétron com precisão absoluta em um momento exato. Contudo, é possível calcular onde, em um átomo, os elétrons provavelmente estarão, sendo chamadas de orbitais as regiões do espaço onde eles podem ser mais facilmente encontrados. Quando ligantes como o oxalato ligam-se ao íon de metal, alguns dos orbitais do íon ficam com energias maiores do que os outros. Essa diferença de energia entre orbitais é importante para a determinação da cor e das propriedades magnéticas do complexo. Alguns ligantes induzem uma diferença maior do que outros. Posicionando os ligantes, do que causa uma menor diferença até o que causa a maior, tem-se uma lista chamada de série espectroquímica. O oxalato fica do meio para o fim dessa lista, de forma que ele causa uma diferença de energia nos orbitais maior do que fazem os íons de cloro e flúor, contudo, menor do que a causada pelos íons de cianeto e monóxido de carbono.

Envenenamento por oxalato

Algumas espécies de plantas podem acumular altos níveis de oxalato em seus tecidos, seja em forma de complexos insolúveis, como o de ferro ou de cálcio, seja na forma de complexos solúveis, como os sais de potássio e de sódio. O oxalato pode ligar-se ao cálcio no trato digestivo dos animais, formando cristais insolúveis e diminuindo a absorção de cálcio. Alternativamente, sais solúveis de oxalato ingeridos em grande quantidade podem entrar na corrente sanguínea e combinar-se ao cálcio do sangue, levando, possivelmente, a uma falha nos rins. Essas plantas podem apresentar um sério risco a criações de animais.