Qual é o dilema de Popper sobre a cidadania democrática?

Escrito por cate mars | Traduzido por pina bastos
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Qual é o dilema de Popper sobre a cidadania democrática?
Bandeira da Áustria (Comstock Images/Comstock/Getty Images)

O filósofo austríaco Karl Popper é mais conhecido por suas contribuições para os reinos da filosofia e da ciência. No entanto, como aconteceu com Noam Chomsky, suas teorias e ideias também se estenderam para as disciplinas da linguística e da política. Suas ideias são altamente intelectuais e complexas, no sentido de que levam em conta um panorama variado em vez de um domínio finito, razão pela qual muitos dos que o leem acreditam que sua filosofia é equilibrada com ironia e paradoxo.

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Quem é Karl Popper?

Sir Karl Raimund Popper (1902-1994) foi um filósofo e professor que lecionou na London School of Economics (Escola de Economia de Londres). Ele nasceu em Viena, de pais de classe média de origem judaica. Muito jovem, aos 17 anos, ele foi atraído pela ideologia marxista e juntou-se à Associação de Estudantes Socialistas e ao Partido Social Democrata dos Trabalhadores da Áustria. Ele rompeu com o marxismo devido à supressão das liberdades individuais básicas e foi um apoiador do liberalismo social ou democracia liberal e advogou pela crítica social pelo resto da vida.

Sobre a metodologia científica da indução

Popper criticava o método científico, que é baseado na indução ou lógica empírica e advogava o racionalismo crítico. Ele cunhou o conceito de "falsiconfiabilidade" e dizia que uma ideia ou teoria só poderia ser julgada "científica" se pudesse ser provada como passível de ser falsificada. Se algo é falsificável, então sua falsidade pode ser provada. Por exemplo, a afirmação de que "nenhum humano vive para sempre" não é falsificável e portanto não pode ser tida como verdade porque ainda não foi provado que todo humano que está vivo hoje vai morrer. Na opinião de Popper, verdade e verossimilhança são dois conceitos separados e distintos, assim como o são corroboração e confirmação. É importante compreender este processo de pensamento, pois ele está consistentemente no coração dos ensinamentos de Popper.

O paradoxo da tolerância

Em vez de dizer que uma coisa é verdade porque não foi provado que é falsa (a lógica de que o sol sempre se levanta, então sempre se levantará), Popper concordaria apenas com sua verossimilhança. Ele diz que a verdade só pode ser medida por sua relação com a falsidade, e aqui você pode começar a ver o paradoxo. No seu livro mais conhecido, "A sociedade aberta e seus inimigos", ele demonstrou o paradoxo da tolerância: uma pessoa tolerante não poderia ser sempre tolerante; isso levaria ao desaparecimento da tolerância. Isto quer dizer que se uma pessoa intolerante fosse finalmente tolerada por uma pessoa tolerante, então a última seria subordinada à primeira. Diz ele: "Se não estivermos preparados para defender uma sociedade tolerante contra o ataque violento dos intolerantes, os tolerantes serão destruídos, e a tolerância com eles."

O paradoxo da cidadania democrática

A filosofia de Popper é conhecida como "racionalismo crítico". Ele argumenta que as teorias científicas são abstratas demais para serem provadas objetivamente como verdadeiras e que portanto a verossimilhança de ocorrências é o que mais importa. Ele faz um paralelo entre a eliminação do erro e o darwinismo e argumenta que o benefício da ciência é que ela acelera a evolução das espécies. Este mesmo conceito pode ser superposto a respeito de mudança social para elucidar a visão política de Popper: governo e sociedade vão evoluir quando forem feitos erros e se lidar com eles, e é responsabilidade do povo (a maioria democrática, por assim dizer) trazer a luz e se rebelar contra os erros. Na visão de Popper, a fricção e até a dissenção são bons elementos de se ter e são, de fato, necessários a uma verdadeira democracia.

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