A história da cirurgia de escoliose

Escrito por cheri dohnal | Traduzido por luiza g. brando
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A história da cirurgia de escoliose
A escoliose é uma curvatura lateral da coluna (Stockbyte/Stockbyte/Getty Images)

A escoliose, curvatura lateral da coluna vertebral, costuma ser notada durante a adolescência e ocorre com mais frequência em mulheres do que em homens. A correção cirúrgica da escoliose passou por diversas mudanças ao longo da história. A premissa básica, entretanto, permanece a mesma: deixar a coluna na posição mais reta possível e mantê-la assim utilizando uma ou mais hastes de metal, fundindo toda ou parte da coluna inclusa na área operada. De acordo com a Mayo Clinic, "a cirurgia de escoliose é um dos procedimentos cirúrgicos ortopédicos mais longos e complicados executados em crianças". A cirurgia também é feita em adultos, porém, não com muita frequência.

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Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia pode ser necessária para impedir a progressão da curva quando os coletes ortopédicos são ineficazes ou quando a curvatura da coluna continua a progredir, mesmo após o paciente já ter passado pela fase de crescimento. A cirurgia costuma ser recomendada para adolescentes e adultos cujo crescimento esteja completo e cuja maior curvatura tenha ao menos 40º a 50º. Os pacientes geralmente desenvolvem uma curvatura menor oposta, abaixo da maior, criando a forma de um "S". A cirurgia pode ser recomendada aos adultos que tenham uma curvatura menor do que 40º caso sintam muita dor.

Colocação de hastes de Harrington

Desde muito cedo, as cirurgias de correção de escoliose executavam a fusão da coluna com hastes de Harrington, desenvolvidas por Paul Harrington, nos anos 1950. Uma única haste de metal inflexível mantinha a coluna reta, com osso retirado do quadril do paciente enxertado nos espaços vertebrais para simular a fusão. Essa cirurgia era feita apenas posteriormente (a partir das costas) e fazia com que o paciente perdesse qualquer flexibilidade em todo o comprimento fundido. Ela era efetiva se a fusão fosse executada com sucesso, mas não permitia tanta correção quanto os métodos atuais. A cirurgia durava entre oito e doze horas, o que resultava em perdas de sangue consideravelmente grandes.

Recuperação

A recuperação era lenta e complicada; o paciente ficava confinado na cama por três ou até seis meses, com o corpo totalmente imobilizado do pescoço até abaixo do quadril, e mais seis meses em um colete de plástico duro, similar ao atual colete de Wilmington. Os pacientes com fusões grandes vivenciavam algumas dificuldades devido à perda de flexibilidade e alguns problemas posteriores, como dores na lombar e nas pernas por causa da degeneração dos discos abaixo da fusão.

Duas hastes

Em meados dos anos 1970, o método de Harrington muitas vezes passou a ser executado utilizando duas hastes em vez de uma para corrigir as curvas mais altas e mais baixas, o que permitia uma maior flexibilidade devido à menor quantidade de fusões envolvidas. Os pacientes eram encorajados a começar a andar apenas dias após a cirurgia e o molde para imobilizar o corpo teve o tamanho bastante reduzido.

Hastes C-D

Em 1984, os cirurgiões franceses Ives Cotrel e Jean Dubosset desenvolveram a haste C-D, a técnica instrumental de Cotrel-Dubosset, também executada a partir das costas. Nesse procedimento, duas hastes metálicas e ganchos ou parafusos são anexados a cada lado da coluna e ajustados para deixá-la reta. O material ósseo para a fusão pode ser coletado do quadril, da crista ilíaca na frente da pélvis e da costela do paciente, ou, então, pode ser feito um enxerto a partir de um doador falecido. Alguns pacientes tiveram transtornos com os parafusos pedículos originais utilizados nessa técnica, mas o problema foi corrigido com uma revisão relativamente mínima. Essa cirurgia ainda é utilizada. A maioria dos pacientes precisa de apenas seis dias de hospitalização, pode andar quase imediatamente após a cirurgia e não precisa usar nenhum tipo de colete pós-cirúrgico. Os pacientes com poucas vértebras curvadas nem mesmo ficam uma redução notável de flexibilidade.

Outras abordagens

As variações nos instrumentais C-D evoluíram ao longo do tempo, incluindo o uso de cirurgia anterior (a partir da frente) e combinações de técnicas anteriores e posteriores. A abordagem anterior utiliza uma incisão que segue uma costela e termina em direção norte-sul acima do umbigo, o que permite que os cirurgiões tenham acesso facilitado à vértebra mais próxima da cintura. O método utilizado mais comum ainda é a abordagem posterior, mas os cirurgiões obtiveram enorme sucesso com o método anterior em alguns tipos de curvaturas.

Avanços recentes

Há uma técnica que atualmente está sendo utilizada pelos cirurgiões da Mayo Clinic para corrigir as curvas em crianças que ainda estão crescendo. Ela emprega o uso de duas hastes colocadas paralelamente uma a outra em cada lado da coluna, com seções centrais ajustáveis que podem ser alongadas em um procedimento ambulatorial à medida que a criança cresce. Esse processo é desenvolvido para providenciar uma correção interina durante a fase de crescimento das crianças cujas curvas são severas o bastante para afetar o crescimento ou possivelmente ter impacto sobre o coração e os pulmões. Outras abordagens, como as cirurgias endoscópicas ou toracoscopias vídeo-assistidas, também são utilizadas em circunstâncias limitadas, à medida que essa cirurgia continua a evoluir.

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