Quais eram os instrumentos de navegação utilizados em 1400?

Escrito por donna g. morton | Traduzido por paula ferreira
Quais eram os instrumentos de navegação utilizados em 1400?
Nas explorações e longas viagens dos anos 1400, era necessário que os marinheiros utilizassem instrumentos de navegação (Goodshoot/Goodshoot/Getty Images)

Os anos 1400 foram uma época de muita exploração, especialmente pelos europeus, com suas viagens para as Américas, a Ásia, África e o Oceano Pacífico. Política, economia e religião eram as forças por trás dessas aventuras, que resultaram em novos postos de comércio, conquistas estrangeiras e o desenvolvimento de impérios, como Espanha e Portugal. Os exploradores precisavam de uma orientação melhor do que o sol e a Estrela Polar nestas longas viagens no além-mar e procuraram precisão ao navegar por meio dos instrumentos de navegação.

A bússola

Durante a Idade Média, perder-se no mar geralmente resultava em tragédia, já que os marinheiros ficavam sem provisões antes de chegar em terra firme. Céus nublados e a Estrela Polar poderiam fazer com que até navegadores mais experientes, como Cristóvão Colombo, se perdessem e ficassem à deriva. A bússola se tornou um dos mais importantes instrumentos de navegação. Alguns acreditavam que sua agulha possuía poderes que vinham da magia negra e do próprio diabo, mas a superstição não impediu a bússola de ser usada extensivamente por esses marinheiros, que navegavam por águas desconhecidas.

Astrolábios e quadrantes

Estas ferramentas permitiam que os marinheiros calculassem a sua posição latitudinal, que é a distância norte ou sul do Equador. O astrolábio circular era um instrumento grande, com dois buracos para visualização e um ponteiro que se mexia no centro. O ponteiro ficava paralelo ao horizonte quando o instrumento era direcionado à Estrela Polar. Os marinheiros podiam ler o ângulo entre os buracos e o ponteiro determinaria a latitude do navio. Os quadrantes eram parecidos com os astrolábios, mas pesavam muito menos, porque tinham a forma de um quarto de círculo. Enquanto estes instrumentos eram mais precisos que o olho nu, eles não eram sempre exatos, especialmente quando um navio cruzava mares agitados, e era difícil para o navegador manter as mãos e os instrumentos firmes o bastante para obter as medidas.

Navegação estimada

Os marinheiros de 1400 melhoravam as suas leituras de latitude, no entanto tinham dificuldade em determinar a sua posição longitudinal, que dizia o quão distante o navio havia navegado para leste ou oeste. Eles dependiam de várias ações primitivas que compreendiam um método chamado "Navegação estimada", que requeria que alguém ficasse com o trabalho entediante de registrar a posição de navegação, assim como medir a velocidade do navio e o tempo de viagem para determinada direção, mas colher dados de velocidade requeria que os navegadores jogassem uma corda com nós na proa do navio, para ver o quão rápido o casco passava pelos nós. O cálculo do tempo da viagem geralmente era feito usando-se uma ampulheta, porque o ar salgado corroía os relógios da época. Os infelizes membros da tripulação que ficavam com esta tarefa tinham que virar a ampulheta de hora em hora, no segundo exato em que caía o último grão de areia. Em geral, o processo da navegação estimada era cheio de limitações e imprecisões que frequentemente mandavam o navio para outros lugares. Alguns navegadores confiavam mais em seus instintos de marinheiro do que na navegação estimada.

Prumo de mão

Este instrumento permitia aos navegadores medir a profundidade da água e é a ferramenta de navegação mais velha do mundo, datando do Egito Antigo. Consistia em um carretel, que pesava entre 7 e 9 kg, e uma longa corda que usava um pedaço de tecido ou couro para marcar as diferentes profundidades. O comprimento máximo era de 36 m e seu uso limitava-se aos portos, baías, rios e águas rasas costeiras. Para os navegadores de alto-mar do século 15, o instrumento era usado quando o navio se afastava dos portos ou se aproximava da costa, assim evitando que encalhasse ou batesse em grandes bancos de areia.