Secreções da pele de sapo e seus usos

Escrito por ho-diep dinh | Traduzido por jessica lopes bonifacio
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Secreções da pele de sapo e seus usos
Os pequeninos e coloridos sapinhos-ponta-de-flecha das florestas tropicais secretam toxinas através de suas peles (Jupiterimages/liquidlibrary/Getty Images)

O veneno do sapinho-ponta-de-flecha, possivelmente o animal mais venenoso do mundo, carrega toxina suficiente em sua pele para matar 100 homens. Em vez de realmente produzir o veneno dentro de seus próprios corpos, sapos venenosos incorporam toxinas extraídas dos insetos que consomem no chão das florestas colombianas. Todos os sapos carregam algum tipo de veneno em suas peles, que vão desde levemente irritante para mortal. As secreções de muco jorrando da pele de um sapo quando ele se sente ameaçado poderia muito bem vir a ser a panaceia que a comunidade médica tem procurado.

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Veneno

Pontas de flechas raspadas ao longo das costas do sapinho colombiano retém um pouco da toxina secretada da pele do sapo. Batracotoxina, o que permitiu caçadores nativos matarem eficientemente animais pequenos, provou ser letal para os seres humanos quando em contato com a pele. Após tentativas fracassadas para extrair a toxina dos sapos criados em laboratório, os cientistas descobriram que eles não fabricam o produto químico. A toxina tem origem nos besouros Coresine - um dos alimentos preferidos do sapo - que correm pelo chão da floresta. A batracotoxina age sobre o sistema nervoso e provoca batimentos cardíacos irregulares e, eventualmente, insuficiência cardíaca. Não existe antídoto, mas o tratamento com outro veneno, a tetrodotoxina de baiacu, pode amenizar os efeitos da batracotoxina.

Analgésico

Secreções de pele dos sapinhos-ponta-de-flecha da espécie Epipedobates tricolor fornecem um potencial analgésico 200 vezes mais eficaz que a morfina, e que não tem propriedades aditivas. John Daly, pesquisador do National Institutes of Health, isolou a toxina epibatidina, mas mais tarde descobriu que a substância é muito perigosa para o uso em seres humanos. A legislação de proteção ao sapo e a destruição do seu habitat reduziu outras tentativas para adquirir exemplares de sapos adicionais para a pesquisa. Dr. Daly congelou suas amostras e, na década de 1990, os bioquímicos foram capazes de usar essas amostras para fazer epibatidina sintética para a experimentação. Abbott Labs finalmente havia criado um derivado da epibatidina, AB-594, para o tratamento da dor.

Antimicróbios

Peles de sapos abrigam mais de 100 tipos de antibióticos que erradicam bactérias, fungos e vírus causadores de doenças. Até recentemente, os pesquisadores não tiveram muito sucesso em isolar os componentes antibióticos e aplicá-los para seres humanos porque algumas substâncias provaram ser demasiado tóxicas ou foram discriminados pelo corpo humano. Michael Conlon, um pesquisador da Universidade dos Emirados Árabes Unidos no Emirado de Abu Dhabi, descobriu que alterando as matérias das substâncias antibióticas, ele e seus colegas poderiam contornar as defesas do organismo e criar antibióticos mais seguros, mais eficazes para substituir os de que as bactérias já têm se mostrado resistentes. Um tipo de antibiótico eficaz contra Staphylococcus aureus resistente à meticilina, uma infecção muito difícil de ser tratada encontrada em ambientes hospitalares, foi isolada a partir de um anfíbio californiano que está em perigo de extinção, o sapo sopé de patas amarelas.

Repelente de mosquitos

O medo da propagação da malária levou os cientistas a encontrar um repelente de mosquito mais eficaz. O sapo de árvore da Austrália levou pesquisadores da Universidade de Adelaide a testar suas secreções em pele em ratos de laboratório. Os pesquisadores descobriram que os mosquitos evitaram camundongos injetados com as secreções da pele do sapo por 50 minutos enquanto os ratos não tratados foram mordidas dentro de 12 minutos. A pesquisa também mostrou que um repelente de mosquitos atualmente no mercado protegeu os ratos por mais de duas horas. Os céticos citam que certas plantas também oferecem propriedades repelentes de mosquito, mas de uma forma mais rentável.

Secreções da pele de sapo e seus usos
Secreções da pele de sapo foram repelentes de mosquitos em laboratório, mas não tão potentes quanto as marcas já no mercado (Jupiterimages/liquidlibrary/Getty Images)

Tratamento do câncer

O professor Chris Shaw, da Escola de Farmácia da Universidade do Queen, em Belfast descobriu que as proteínas da pele do sapo Phyllomedusa sauvagii parou a angiogênese, ou a criação de novos vasos sanguíneos. Crescimentos cancerosos, ou tumores, crescem até um certo tamanho, antes que eles precisem estimular o crescimento de mais vasos sanguíneos para levar oxigênio e alimento para as células anormais, que se multiplicam rapidamente. Dr. Shaw e seus colegas teorizaram que, se pudessem de alguma forma usar essas proteínas recém descobertas a privar os tumores de vasos sanguíneos necessários, eles podem diminuir os tumores, mantendo-os de se espalharem e eventualmente destruir o tumor em si.

Tratamento da diabetes

A Pseudis paradoxa da América do Sul pode fornecer um possível tratamento para pessoas que sofrem de diabetes tipo 2, uma doença que comumente afeta os indivíduos obesos de meia-idade. Quem sofre dela, ou não pode produzir insulina suficiente, uma substância química que ajuda o corpo a usar açúcar, ou seus corpos não respondem à insulina que eles fazem. Pseudin-2, uma substância química com propriedades antibióticas encontradas na pele do sapo Pseudis paradoxa, poderia estimular o corpo humano a produzir mais insulina, de acordo com um esforço de investigação conjunta entre pesquisadores da Universidade de Ulster e da Universidade dos Emirados Árabes Unidos. O próximo passo seria testar a droga em seres humanos.

Secreções da pele de sapo e seus usos
Pseudin-2 faz o corpo produzir mais insulina (Creatas/Creatas/Getty Images)

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