Vantagens e desvantagens da pesquisa etnográfica

Escrito por john huddle | Traduzido por joris bianca silva
Vantagens e desvantagens da pesquisa etnográfica
Os etnógrafos partem de um problema ou tópico de pesquisa que se desenvolve e se adapta no decorrer do estudo (Ingram Publishing/Ingram Publishing/Getty Images)

Os etnógrafos estudam as culturas e sociedades humanas convivendo entre o povo estudado, inserindo-se no grupo de interesse em um processo chamado de observação participante. O etnógrafo participa o máximo possível enquanto observa, tomando notas detalhadas, desenvolvendo uma análise dessas notas e compilando um relatório ou, mais frequentemente, um livro sobre suas descobertas. Usada em antropologia, sociologia, negócios e psicologia organizacional, a etnografia leva pontos fortes e fracos à questão da pesquisa.

Investigação de questões complexas

Os etnógrafos são indicados para o estudo de interações culturais e sociais intrincadas, situações imprevisíveis e relações que são complexas e difíceis demais para os métodos quantitativos, como sondagens e análises estatísticas de dados numéricos. Os etnógrafos podem destrinchar a extensão das experiências grupais de maneiras que levam em conta a singularidade do grupo estudado. Visto que o profissional toma notas cuidadosamente estruturadas e detalhadas, entrevistas e outros processos de coleta de dados no grupo observado, uma etnografia é uma maneira poderosa de revelar, contextualmente, os vários elementos das interações coletivas. O resultado é uma compreensão aprofundada da cultura e interpretações com veracidade, o que é normalmente chamado de "descrição densa". Essa descrição densa geralmente oferece respostas a questões políticas desconcertantes, decorrentes das dificuldades de povos indígenas de locais remotos em relação a problemas sociais do Ocidente, como beneficiários de medidas assistencialistas.

Uma voz para a compreensão

As etnografias permitem que a cultura fale de suas visões e perspectivas, que, de outra forma, seriam sufocadas pela cultura dominante e ficariam ignoradas. O etnógrafo desenvolve uma compreensão do ponto de vista do grupo e, em casos de direitos humanos, às vezes pode agir como um advogado do grupo. A etnografia oferece uma janela para que aqueles fora do grupo possam entender o que ele faz e por quê. Adicionalmente, as etnografias investigam os atributos profundos da cultura, trazendo-os à superfície, o que garante aos indivíduos do grupo uma maior autocompreensão, que, por sua vez, no processo, os ajuda a interagir fora de seu grupo e cultura.

Cara, demorada e difícil

As etnografias são de difícil replicação, aplicáveis principalmente aos sujeitos do estudo e altamente dependentes do etnógrafo. Os etnógrafos precisam de um treinamento extensivo, com a prática de métodos de entrevista, anotações, métodos de coleta de dados alternados e de análise, além do aprendizado do idioma e outros treinamentos específicos para o grupo ou cultura que planejam estudar. Uma vez no campo, o etnógrafo deve dedicar algum tempo para conquistar a confiança. Quando essa confiança é conquistada, o etnógrafo passa bastante tempo na observação participante e outros métodos de coleta de dados, tomando notas e realizando outras tarefas para manter um registro o mais próximo possível da perfeição. A análise de dados consome muito tempo, o que resulta em uma descrição densa da questão cultural ou social, que normalmente gera um livro. Visto que mergulham na cultura, os etnógrafos frequentemente sofrem choques culturais, sentem-se estranhos e deslocados, solitários, podem vivenciar um desconforto considerável e ocasionalmente um risco pessoal, além da constante pressão para se manterem alertas como observadores participantes.

Ética

Os etnógrafos devem prestar atenção especial à ética enquanto conduzem seus estudos. Eles normalmente estudam culturas delicadas que são vulneráveis à exploração sem nenhum tipo de segurança. Os etnógrafos também estudam contraculturas e grupos de trabalho, o que exige um planejamento cuidadoso para evitar prejudicar os sujeitos. Por último, mas não menos importante, esses profissionais levam suas próprias experiências, preconceitos e cultura para o estudo. Por tal, eles devem continuamente se resguardar de injetar seus vieses no estudo, mudar a cultura por sua presença ou não conseguir expor seus vieses corretamente nos relatórios.

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