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Vida e obra de Ariano Suassuna

Reprodução Lello Santana/ Flickr Commons (06/06/2012)

Introdução

Nascido na Paraíba e radicado em Pernambuco, o escritor Ariano Suassuna é um dos grandes expoentes da cultura nordestina. Suas obras são marcadas pela influência das suas raízes sertanejas e pela defesa das manifestações culturais populares. Conhecido principalmente pela peça de teatro "O Auto da Compadecida", que foi adaptada para a televisão e o cinema, Ariano preserva uma visão romântica da arte, considerando que ela não deve ser um produto mercadológico, e sim "missão, vocação e festa". Confira nos próximos slides os fatos mais importantes da vida e obra do escritor.

Reprodução Rosilda Cruz/ SecultBA (06/05/2012)

Infância

Ariano Suassuna nasceu no dia 16 de junho de 1927 em João Pessoa, capital da Paraíba. Filho de Cássia Villar e João Suassuna, ele viveu no Sítio Acauã, no Sertão do estado, durante seus primeiros anos de vida. Um dos fatos mais marcantes da vida do escritor ocorreu quando ele tinha apenas três anos de idade: seu pai foi assassinado no Rio de Janeiro, por motivos políticos relacionados com a Revolução de 1930. Para evitar represálias de políticos opositores, a família mudou-se para Taperoá, no Cariri paraibano. Em 1942, eles foram viver no Recife, capital pernambucana, onde o escritor reside até hoje.

Spencer Griffin/Hulton Archive/Getty Images

Estudos e docência

Ariano Suassuna estudou em colégios renomados do Recife, como o Colégio Americano Batista, o Ginásio Pernambucano e o Colégio Oswaldo Cruz. Em 1950, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife e, em 1964, concluiu a graduação em Filosofia. Em 1956, o escritor tornou-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na mesma instituição, ele defendeu, em 1976, sua tese de livre-docência em história da cultura brasileira intitulada "A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira". Ele foi professor da UFPE por mais de três décadas, dando aulas de Estética e Teoria do Teatro, História da Cultura Brasileira e Literatura Brasileira.

Crédito: TV Globo / Renato Rocha Miranda

Teatro

Suassuna fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco em parceria com o dramaturgo Hermilo Borba Filho, que conheceu na Faculdade de Direito do Recife. Ele escreveu sua primeira peça, "Uma mulher vestida de Sol", aos 20 anos e, no ano seguinte, sua obra "Cantam as harpas de Sião (ou O desertor de Princesa)" foi montada pelo Teatro do Estudante. Outras de suas peças são o "Auto de João da Cruz" (1950), a célebre "Auto da Compadecida" (1955), "O Santo e a Porca - O Casamento Suspeitoso" (1957), "A Pena e a Lei" (1959), "A Farsa da Boa Preguiça" (1960) e "A Caseira e a Catarina" (1961).

Crédito: TV Globo

Romances

Ariano também escreveu romances, como "A História de amor de Fernando e Isaura" (1956), "O Romance d'A Pedra do Reino" e o "Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta" (1971) e "História d'O Rei Degolado nas caatingas do sertão/Ao sol da Onça Caetana" (1976). O primeiro deles é descrito como uma versão brasileira do clássico "Tristão e Isolda", contando uma história de amor trágica com cenário em Alagoas. "O Romance d'A Pedra do Reino", escrito entre 1958 e 1970, tem quase 800 páginas e foi relançado em 2005, e a "História d'O Rei Degolado" é uma espécie de sequência do romance anterior.

Crédito: TV Globo / Renato Rocha Miranda

Poesia

Apesar de mais conhecido por suas peças de teatro e romances, o escritor não se limitou a esses gêneros. O primeiro escrito de Ariano a ser publicado foi o poema "Noturno", que ganhou as páginas do suplemento de cultura do Jornal do Commercio, do Recife, em outubro de 1945 — quando ele tinha apenas 18 anos. O poema está disponível no site "Releituras" (ver Recursos). Suassuna também foi autor de outras obras de poesia, como "O pasto incendiado" (1945-1970), "Ode" (1955), "Sonetos com mote alheio" (1980), "Sonetos de Albano Cervonegro" (1985) e a antologia "Poemas" (1999).

Créditos: Globo News / Divulgação

O Auto da Compadecida

A obra responsável pela projeção de Ariano Suassuna em todo o Brasil foi "O Auto da Compadecida", escrita em 1955 e encenada em 1957 pelo Teatro Adolescente do Recife. Além de ter sido montada por vários grupos de teatro, a peça foi adaptada para a televisão, como uma minissérie de quatro capítulos exibida na Globo em janeiro de 1998, e para o cinema. Dirigido por Guel Arraes e com roteiro de Adriana Falcão, o filme teve mais de 2 milhões de espectadores. As adaptações incluem elementos de outras obras do autor, como "O Santo e a Porca" e "Torturas de um Coração", e do clássico "Decameron", de Giovanni Boccaccio.

Crédito: TV Globo

A Pedra do Reino

Outra adaptação de grande alcance foi a microssérie "A Pedra do Reino", exibida também pela Rede Globo entre os dias 12 e 16 de junho de 2007. A série foi dirigida por Luiz Fernando Carvalho e escrita por ele, Bráulio Tavares e Luís Alberto de Abreu com base no livro de Ariano, como forma de homenageá-lo por seus 80 anos. Filmada na Paraíba e estrelada pelo ator pernambucano Irandhir Santos, a obra não teve muito êxito em audiência. Ainda assim, foi levada aos cinemas, sendo exibida em sua versão integral.

Wikimedia Commons: Wolfhardt | Atribuição-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada (CC BY-SA 3.0)

Cargos e títulos

O escritor foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura, em 1967, e do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, do qual fez parte entre 1968 e 1972. Em 1969, tornou-se diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE, permanecendo no cargo até 1974. Em seguida, Ariano foi Secretário de Educação e Cultura do Recife, entre 1975 e 1978, e Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no terceiro governo de Miguel Arraes e no primeiro de Eduardo Campos. Em 1990, ele assumiu a cadeira número 32 da Academia Brasileira de Letras, e desde 2000 ocupa a cadeira 35 na Academia Paraibana de Letras. No mesmo ano, Suassuna tornou-se Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Em 2006, ele recebeu o título também pela Universidade Federal do Ceará.

luiza_st/iStock/Getty Images

Movimento Armorial

Muito envolvido com a cultura tradicional da sua região, em 1970 Ariano deu início ao chamado Movimento Armorial. Criada no Recife, a iniciativa tinha o objetivo de criar arte erudita a partir da cultura popular nordestina. No movimento, recebem destaque expressões artísticas como a literatura de cordel, espetáculos populares do Nordeste como cavalo-marinho e bumba-meu-boi e o teatro de mamulengos. Grandes nomes da cultura pernambucana estão envolvidos no movimento, como o escritor Raimundo Carrero, o violonista e compositor Antônio Madureira, o escultor Francisco Brennand, o pintor e gravurista Gilvan Samico e grupos como o Quinteto Armorial e o Balé Armorial do Nordeste.

Créditos: TV Globo / Fernando Lemos

Curiosidades

Ariano teve seis filhos com sua esposa Zélia de Andrade Lima, com quem se casou em janeiro de 1957. Ele é torcedor fanático do Sport Club do Recife, chegando a afirmar que o time é uma das coisas mais importantes da sua vida. O escritor já foi agnóstico, mas posteriormente converteu-se ao catolicismo, e a influência da religião é bem visível em sua obra. Seus trabalhos já foram traduzidos para diversas línguas, como inglês, espanhol, italiano, francês, alemão, polonês e holandês. Em 2002, ele foi inspiração para o enredo da escola de samba carioca Império Serrano e, em 2008, para a Mancha Verde, de São Paulo.

Roberto Stuckert Filho/PR

Falecimento

Em agosto de 2013, Suassuna sofreu um infarto do miocárdio e um aneurisma cerebral. No dia 21 de julho do ano seguinte, Ariano deu entrada no Real Hospital Português, no Recife, após sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico. O escritor passou por procedimento cirúrgico para a colocação de dois drenos para controlar a pressão intracraniana elevada devido ao AVC. De acordo com o jornal Diário de Pernambuco, o protocolo para confirmar a morte cerebral de Ariano foi aberto durante a manhã do dia 23, e a morte do escritor, confirmada pela equipe médica às 17h40.