Experiências com híbridos humano-animal

Escrito por juniper russo | Traduzido por diego feijo cabral silva
  • Compartilhar
  • Tweetar
  • Compartilhar
  • Pin
  • E-mail
Experiências com híbridos humano-animal
Teoricamente, os seres humanos poderiam ser naturalmente hibridizados com chimpanzés ou bonobos (Jupiterimages/Photos.com/Getty Images)

Há muitos anos que híbridos humanos-animal, ou para-humanos, vêm sendo objeto de controvérsias éticas e científicas. A partir do século 20, cientistas e escritores de ficção começaram a explorar a possibilidade de uma forma de vida viável contendo tanto DNA humano quanto não humano. Teoricamente, esses híbridos, ou quimeras, poderiam permitir um melhor entendimento sobre as origens do homem, além de facilitar avanços na medicina. Até hoje, poucos cientistas fizeram experiências com a criação de humanos híbridos, e nenhuma delas levou ao desenvolvimento de uma prole para-humana viável.

Outras pessoas estão lendo

Experiências de Ivanov

O professor russo Il'ya Ivanov foi um cientista pioneiro no desenvolvimento de híbridos humanos. A partir da década de 1920, ele tentou criar fetos viáveis através da combinação de gametas humanos com os nossos parentes evolucionários mais próximos: chimpanzés, gorilas e orangotangos. Ivanov tentou inseminar várias fêmeas de chimpanzé com esperma humano, mas a concepção foi malsucedida. Com o apoio da Sociedade dos Biólogos Materialistas, Ivanov também iniciou um projeto para inseminar mulheres humanas com o esperma de primatas não humanos, mas ele não conseguiu encontrar voluntárias humanas ou macacos machos pós-pubescentes em número suficiente para completar o projeto.

Experiências com quimeras

As experiências de hibridização humana foram largamente abandonadas pela ciência até o advento da clonagem e da modificação genética. A partir das décadas de 1990 e 2000, os cientistas começaram a investigar o quimerismo — a combinação assexuada de animais distintos. Em 2003, cientistas em Xangai fundiram, com sucesso, óvulos de coelho com DNA humano. A Clínica Mayo também desenvolveu, com sucesso, porcos com sangue humano, e cientistas da Universidade de Stanford investigaram a criação de camundongos com cérebros humanos (abandonando, posteriormente, a experiência devido a questões éticas). Esses organismos para-humanos são classificados como quimeras (e não híbridos autênticos) e podem ocorrer mesmo que as espécies envolvidas não sejam intimamente ligadas.

Benefícios potenciais

A pesquisa de hibridização humano-animal pode, na teoria, promover um avanço em nosso entendimento da evolução e da genética. Talvez, ainda mais importante, essa área de pesquisa possa facilitar o desenvolvimento de animais capazes de fornecer órgãos, tecidos e sangue humanoo para o uso na medicina. Animais com DNA humano também podem facilitar o desenvolvimento de novos tratamentos e vacinas. Por exemplo, camundongos com a biologia similar à humana poderiam ser usados para desenvolverem uma vacina eficaz contra a AIDS, e porquinhos-da-índia com células nervosas similares às humanas poderiam permitir a pesquisa para a recuperação do traumatismo cranioencefálico. A Humanity+ (a antiga Associação Mundial Transhumanista) e a Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos estão entre as organizações que apoiam o uso consciente de híbridos humanos na ciência e na medicina.

Considerações éticas

Apesar de seus potenciais benefícios para a ciência, as experiências com híbridos humanos são extremamente controversas. Não há consenso ético ou científico no que diz respeito à aceitação desse tipo de experiência. Ainda não existem leis que definam a humanidade de para-humanos. Por exemplo, não há leis que garantam direitos a um animal com cérebro humano, mesmo que ele seja sensível e inteligente como um ser humano normal. A hibridização também lança questões sobre a fronteira entre as espécies relacionadas e confunde nossas definições de criaturas humanas e não humanas. Além disso, ela exige a criação e a destruição de fetos humanoides potencialmente inviáveis — uma prática considerada antiética por alguns ativistas. Se a pesquisa sobre híbridos humanos prosseguir, essas considerações poderão causar ainda mais controvérsias legais, científicas e filosóficas.

Não perca

Filtro:
  • Geral
  • Artigos
  • Slides
  • Vídeos
Mostrar:
  • Mais relevantes
  • Mais lidos
  • Mais recentes

Nenhum artigo disponível

Nenhum slide disponível

Nenhum vídeo disponível